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Mensageiro Obscuro é um escritor performático que possui um espetáculo solo no qual recita textos utilizando vestuários exóticos, maquiagens e outros recursos criados por ele. Escreve prosas poéticas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e experimenta outras formas de escrita.

Seus principais estilos e temas em suas obras são: aventura fantástica, realismo fantástico, autobiografia, onirismo, ultra-romantismo, simbolismo, drama, horror e suspense, ocultismo e misticismo, mitologias, filosofias, surrealismo, belicismo, natureza, comportamento, erotismo e humor.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Oferenda a Anúbis

Senti um chamado familiar ao caminhar nas areias, uma voz grave me atraiu na noite estrelada, entre covas e mausoléus corri na névoa mortuária. Eu encontraria alguém e estava preparado, entrei em uma pirâmide no frio desértico. Trajando minha capa esvoaçante e artefatos, desci longas escadas na penumbra da cripta, com suas pinturas e símbolos pelas paredes. Necromantes estudavam seus livros e pergaminhos e novamente fui chamado pelo meu grande pai Anúbis.No Templo-cemitério marchei entre a escuridão e tochas, o chacal imponente tornou-se híbrido e conversamos, o Guardião dos Mortos anunciou uma nova batalha e precisei do empréstimo de seu poder mortuário vindo do submundo de estudos, sombras, frio e silêncio.

Na morte fiz minha vida, na vida fiz minha morte, lacrei sonhos infrutíferos e ergui meu machado contra mortos-vivos, donos de essência impura. Exterminei aberrações naquela dura missão interrompendo o retorno dos malditos com a necromancia. A luta contra os filhos da morte foi implacável, a oferenda a Anúbis foi entregue.


- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2007.


-- Glossário --

Anúbis = Neter egípcio do submundo dos mortos, mumificação, auxiliador no julgamento, representante da imparcialidade e racionalidade. É representado como um homem com cabeça de chacal ou cachorro preto. Seu culto era realizado na cidade de Cynopolis e possui templos-cemitério para o treinamento de seus discípulos e cultistas.

Capa e artefatos = Traje cerimonial com objetos dotados de poderes místicos típicos de uma ordem de mistérios, que necessita de uma disciplina notada por símbolos sociais e espirituais.

Chacal = Anúbis em forma animal, também representado por um cachorro preto. Uma transfiguração do neter que vagava pelas áreas mortuárias.

Guardião dos Mortos = Um dos muitos títulos para identificar o neter Anúbis.

Necromancia = Magia que utiliza contatos e manipulação de mortos nos processos de funcionalidade mística.

Necromante = Mago que aprendeu a usar a necromancia.

Pinturas e símbolos = Menção a arte literária e mensagens da religião egípcia representadas nas paredes dos templos, assim como nas cavernas homens pré-históricos registravam sua história cotidiana com sua pintura rupestre, uma das primeiras linguagens visuais segundo a antropologia.

Pirâmide = Construção funerária que servia de mausoléu para guardar um cadáver e seus pertences, sua forma representa os raios de Rá, o neter sol supremo neter egípcio das eras antigas. Tem grande poder espiritual e um significado profundo.

Poder mortuário = Menção a necromancia.

Submundo = Poderia ser o subterrâneo comum, mas essa expressão refere-se ao mundo dos mortos.

Templo-cemitério = Estilo de templo usado pelos cultistas de Anúbis, um templo construído dentro de um cemitério ou um templo com um cemitério dentro para estudos e contatos com a morte.


Foto: Estátua do neter egípcio Anúbis. Sem referências encontradas.

15 comentários:

  1. Excelente!! Chego a ter um sentimento de nostalgia ao ler esse texto, lembro-me dos anos em que eu gastava horas e horas lendo sobre cultura egípcia.

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  2. Saudações, Senhor!

    Amo o Egito antigo e todo o conhecimento que nos deixaram.

    Sou uma filha de Ma'at, a Deusa da Regra, da Ordem, da Verdade e da Justiça. Junto com Osíris e Anúbis, Ma'at forma a tríade da Morte.

    Reza a lenda que no dia do nascimento de uma pessoa é Osíris quem determina o dia de sua morte. Quando a pessoa morre, É Anúbis quem vai buscar sua alma e, na barca de Rá, desce o Nilo em direção ao Delta, para levá-la até Ma'at para o julgamento final.
    No Delta do Nilo, em seu palácio, Ma'at aguarda a presença de Anúbis calmamente. Quando ele chega, entrega à Ma'at a alma da pessoa e ela a coloca num dos pratos da balança. Então, Ma'at tira de sua cabeça a pena de avestruz com a qual assina todos os julgamentos e a coloca no outro prato da balança. E pesa.
    Se a alma da pessoa tiver o mesmo peso que a pena de Ma'at será liberdade para viver na eternidade. Se for mais pesada, será entregue para Sobeck, o deus de cabeça de crocodilo que a comerá.

    É uma história bela. Um dia, ainda mando tatuar esta tríade da justiça na minha pele. Tenho já uma tatto com um combinado dos principais símbolos egípcios nas costas. E tenho também o deus Khepri no ombro esquerdo.

    O Egito antigo me fascina, sobretudo a 19ª Dinastia. Como o Senhor Marius, passei horas, ainda passo, mergulhada em livros que contam a história desta civilização maravilhosa.

    Do Panteão de deuses egípcios, todos são fascinantes, mas´sem dúvida alguma Ma'at e Anúbis são os que mais me encantam.

    Delícia este teu texto que me remeteu as campanhas de RPG, uma das minhas paixões.

    Tenha uma linda noite, Senhor e me perdoe o extenso comentário. Não resisti.

    Besos de mel!

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  3. Por favor, me perdoe os erros de digitação e de ortografia. Tentei fazer uma correção mas não foi possível, quase não consigo comentar.

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  4. Wilson R. (Bar do Escritor)05/04/2010 16:22

    O devorador de corações humanos é meu velho conhecido, desde a mitologia egípcia até o Leilão das Chaves do Inferno, do Sandman de Neil Gaiman.
    Mágico texto, com imagens envolventes, e bastante coerente, para os que entendem sobre cerimoniais, rituais e todos os meandros da Santa Ciência e suas diversas facetas. Dá pra ver que o autor entende, sim, do assunto, coisa que muitos pensam entender, mas nada sabem.

    Muito bom, mas, como poderá perceber, terá um público restrito (aliás, você já falou isso de um texto meu - com razão)

    Abraços.

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  5. Ana Cris (Bar do Escritor)05/04/2010 16:22

    Belas e mágicas cenas!
    Caminhei com você, senti com você. Muito profundo!
    Belíssimo texto! Parabéns!

    A Cultura Egípcia é riquíssima... é uma dádiva conhecê-la. Adoraria que tivesses inspiração para nos presentear com outras paragens egípcias!

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  6. Jairo (Bar do Escrito)05/04/2010 16:24

    Pra início de conversa, isto não é poesia, pois não tem ritmo, não há imagética, lirismo e nem estabelece nenhuma das características fundamentais para que algo seja denominado como poético. Por estes motivos, te aconselho a mudar a estrutura do texto.
    Além da carência de alguns elementos já mencionados, o texto é muito narrativo e infantil. Me dá a sensação de textinho adolescente gótico, que se envereda em assuntos obscuros pra causar impacto na sociedade.
    Pra finalizar: esse tipo de assunto não me interessa nenhum pouco.

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  7. Ramon Estóico (Bar do Escritor)05/04/2010 16:25

    Eu gosto de prosa poética. Quando escrevo alguma coisa com lirismo, escrevo em prosa poética. Mas, enfim, li o texto em alguma outra oportunidade. Gostei sim.

    Amigo, como diz Wilde, "se o público soubesse do que quer, não seria o público". Gostei do seu modo de definir o ato de escrever, é honesto e direto, gosto disso, vá assim, acho que vai bem.


    Eu gosto da arte porque a arte oferece um falso mundo alternativo; difícil e curto, mas ilimitável. Gosto de escrever artisticamente quando minhas ideias ultrapassam o âmbito ético, alcançando o estético (ilimitável, enfim).

    "Surrealismo desvairado", como você define, é exatamente o tipo de coisa que me define.

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  8. Ramon Estóico (Bar do Escritor)05/04/2010 16:27

    Se esse texto não é uma prosa poética eu sou um ganso canadense. Nem todos aqueles que não são parnasianos são escritores vulgares.


    Dostoievski, Raul Pompéia, Lima Barreto, Voltaire, Dante, Ovídio, James Joyce, Ezra Pound, Sá-Carneiro, Gogol, Stendhal... Todos homens de gênio, capazes de elaborar, com estética, questões filosóficas complexas.

    "Arte pela arte"

    Fico tentando imaginar algo assim... Só um Heidegger pra explicar e entender.

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  9. Mensageiro Obscuro (no Bar do Escritor)05/04/2010 16:31

    Respostas minhas:

    Ana,

    Tenho vários textos sobre o Egito antigo e costumo pesquisar sobre esses temas em livros de história, arqueologia, antropologia e mitologia. Tenho livros, revistas e monografias sobre o Egito antigo, aos poucos postarei aqui.
    _______________________________________________

    Jairo,

    Meu estilo realmente agrada a poucos, eu não creio que eu serei um autor de grandes tiragens literárias e nem tenho isso como objetivo. Eu tenho mesmo que narrar os eventos dos textos que escrevo, senão vira uma bagunça surrealista ainda mais distante do entendimento alheio, escrevo para mim, mas não sou tão egoísta a forçar os outros a quebrar demais a cabeça tentando desvendar mistérios e segredos altamente complexos. Eu escrevo o que penso e sinto e como penso e sinto diferente minha expressão é mais distante do entendimento comum.

    Dessa vez gostei do seu comentário, pelo menos dessa vez você teve mais profundidade para defender sua opinião no lugar de ser monossilábico. Provavelmente você deve ser daqueles leitores literais que quer seguir normas de estilo, composição e toda aquela sistematização pesada que não aprecio. Isso pode ser inconveniente para a existência de uma sensibilidade mais ampla.

    O bom é que você se expressou, isso já valeu, serve para eu avaliar se algo pode ser mudado.

    Não sou adolescente querendo me mostrar, mas sou gótico e bem diferente dos emos que são confundidos com minha cena alternativa. Os adolescentes góticos revoltadinhos e exibidos que conhecemos escrevem muito mal, pelo menos eu sei que estou acima da média de cultura nacional, sem querer ser arrogante, mas não é comum encontrar tanta gente por aí que saiba escrever de forma inteligível, ainda mais essa geração dos 10-18 anos de agora que tem um ensino mais fraco que o da minha época.
    _________________________________________________

    Wilson R.,

    Realmente meu público é restrito. Em minhas apresentações em saraus quando uso meus trajes exóticos (roupas, calçados, jóias e acessórios), maquiagens sombrias e futuramente luzes e sombras pouca gente realmente se harmoniza com meus textos, mas fico contente se pelo menos uma pessoa na platéia gostar de parte do que escrevo e recito.

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  10. Rama Kreuzweg (Bar do Escritor)05/04/2010 16:35

    Caro Ursão,

    O seu texto está bom, mas eu não o diria que é uma prosa poética. E também não gostei da disposição das frases como se fossem versos. Não o são, então seria melhor se estivesse dispostas como um texto em prosa de fato.

    O texto tá bom e é interessante. Entendo por que o Jairo não curtiu. Bem, acredito que o pessoal em geral que curte "arte pela arte", que esteja acostumado a ler Rimbaud, Goethe, Machado de Assis não apreciaria a temática e também a estética. Mas isso não faz o seu texto ruim. Se você enveredar por caminhos à lá Dan Brown, André Vianco e Stephen King você pode conseguir boa coisa. Lovecraft é um bom direcionamento também. O legal que se você seguir esse caminho e se dar bem, você vai ficar rico com certeza.

    Pode não ser seu propósito, mas assim, a temática e a estética que você usou neste texto não fica longe da literatura comercial. Não é de todo ruim cara, pode ser uma boa também.

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  11. Mensageiro Obscuro (no Bar do Escritor)05/04/2010 16:36

    Rama,

    Não vou mudar estilo para enriquecer, mas vou melhorar meu estilo artístico com mais experiências na vida. Agradeço pelos comentários que me fizeram.
    Vou avaliar melhor o meu texto para saber se tem algo a melhorar dentro do que me agrade.

    André Vianco é ótimo mesmo, mas evito imitar outros autores, ainda tenho muito a aprender, mas ser escritor comercial nunca foi meu propósito.

    Pode ser que um dia meus livros vendam bem, não sei mesmo, mas minha temática costuma ser muito fechada, creio que tenha poucas chances de emplacar uma venda de mais de 1.000 cópias, se eu vender 500 livros já posso ficar feliz, não vivo de literatura. Literatura na minha vida é por amor mesmo, muita coisa se passa dentro de mim e quero compartilhar, mesmo que só ganhe R$ 1,00 por livro vendido.

    Penso bem pequeno com livros mesmo, o que vende muito no mercado literário brasileiro é muito comercial, estou distante de ser popular, nem para as elites meus textos servem. Pouca gente aprecia realmente o que escrevo, mas como acredito muito em mim eu divulgo meus textos dando a cara a tapa mesmo, o tempo dará seu julgamento pela minha arte.

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  12. Alexandre Brito (Bar do Escrito)05/04/2010 16:40

    Olha só Mensageiro,

    Com todo o respeito, acho que o teu texto, que é "obscuro", e muito descritivo, é algo em construção ainda. Não chegou lá. Poderia se tornar, talvez, um roteiro de história em quadrinho por exemplo, estilo gótico, dark-gótico, do tipo Salomon Kane e afins.

    Terias, evidentemente, de trabalhar a tua narrativa, acrescentar personagens, inserir diálogos, contar uma história com início, meio e fim. E, claro, saber o que é trigo e o que é joio
    pra separar o trigo do joio.

    Acho que tens em mãos matéria bruta. Falta labuta.

    Mãos à obra!
    AmpLEXO!

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  13. Juleni Andrade (Bar do Escritor)05/04/2010 16:40

    Gostei!

    A disposição em versos é concebida por vários escritores... principalmente, quando é prosa poética!
    A necessidade do glossário, não existe. Mas, compreendi sua decisão.

    Eu gostaria de assistir você declamando.

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  14. Índia Onhara (Bar do Escritor)05/04/2010 16:41

    Gostadaço, Ursão.

    Abraços.

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  15. Mensageiro Obscuro (no Bar do Escritor)05/04/2010 16:41

    Alexandre,

    Muitos textos meus vem dos meus sonhos, nem todo sonho meu é longo a ponto de virar algo grande, alguns dos meus sonhos são longos e viram contos que ainda estão "na gaveta" esperando ampliação e reedição, outros viram prosas poéticas e poesias, de vez em quando saem crônicas de meus sonhos também.

    Eu amo quadrinhos, quem me dera fazer HQs, mas não sou grande coisa em desenhar...
    ___________________________________________________

    Juleni,

    Ainda vou montar um traje completo de ker-heb (sacerdote místico egípcio) para apresentar meus textos baseados no Egito antigo. Até agora só tenho traje de mago e fantasma, falta verba para figurinos.

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