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Pesquisa no Abismo

Minha Arte

Mensageiro Obscuro é um escritor performático que possui um espetáculo solo no qual recita textos utilizando vestuários exóticos, maquiagens e outros recursos criados por ele. Escreve prosas poéticas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e experimenta outras formas de escrita.

Seus principais estilos e temas em suas obras são: aventura fantástica, realismo fantástico, autobiografia, onirismo, ultra-romantismo, simbolismo, drama, horror e suspense, ocultismo e misticismo, mitologias, filosofias, surrealismo, belicismo, natureza, comportamento, erotismo e humor.
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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Na Têmpera do Ódio

Minha pele torna-se couraça
Repleta de espinhos e lâminas
Meus dentes e garras crescem
Enquanto a musculatura amplia.

Transformo-me no terror vivo
Enquanto meu sangue esquenta
E o dos inimigos esfria
Diante de minha face feroz.

Meu rosto é pintado para a guerra
E luto furioso sem hesitar,
Carrego armas especiais
Para realizar minhas missões.

Sou forjado na têmpera do ódio
A arma malhada para resistir,
Voraz contra oponentes poderosos
Mostrando o monstro manifestado.

- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2012.

Foto:  imagem do personagem Conan, as referências ao ilustrador não foram encontradas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Doppelgänger

Besta lendária e maldita, desgraça caminhante, invadia a essência dos vivos para seu prazer e copiava minha forma para destruir meu nome! Ser macabro e amorfo, pela forma que confundia meus amigos eu estraçalharia sua carne e ossos. Sem rosto e personalidade próprios ele me copiava até nos detalhes, simulava minhas habilidades e poderes parcamente. A vida do sósia tinha de terminar, eu o livraria do fardo existencial. Solucionaria seu problema com violência pois minha boca não seria o bastante.

Esse fardo de identidade dismorfa deveria cessar com os meus ataques. Quis destruir sua forma inumana libertando esse mundo de sua presença. Desejei-o como oponente em uma batalha, não mais veria seu desrespeito, não mais ouviria suas zombarias. Outras perturbações eram menores, seu sangue seria devorado pelo solo naquele instante.

Fui destemido ao enfrentar meu inimigo, minha existência estava abalada, pelo invejoso e cruel doppelgänger! O copiador das entranhas subterrâneas, o pesadelo dos reflexos distorcidos. Tivemos uma grande batalha física e mística, tamanho duelo foi delicioso ao revelar que sou o verdadeiro Mensageiro Obscuro. Nem tudo podia ser copiado e assim venci ao decapitar quem nunca foi alguém. Venci a batalha, mais um monstro foi derrotado e o Mundo Onírico ficou um pouco mais habitável para criaturas como eu.


- Mensageiro Obscuro.
Junho/2007.


-- Glossário --

Doppelgänger = É uma criatura mitológica de lendas germânicas que podia imitar a forma física, voz e jeito do humano copiado. Lendas contam que o doppelgänger é um humanóide metamorfo que só pensa em si mesmo, possui poderes mentais moderados mas eficazes para manter seu disfarce quando assume a forma de alguém após matar a identidade original. Várias lendas giram em torno desse ser que podia ser também uma versão de personalidade oposta a do copiado, surgindo de alguma forma misteriosa para tomar seu lugar na sociedade. O nome "doppelgänger" se originou da fusão das palavras alemãs: "doppel" (significa duplo ou duplicata) e "gänger" (andante, ambulante ou que vaga).


Foto: "Doppelgänger" por Danny Licul.
Página da artista: Danny Licul

domingo, 7 de agosto de 2011

Medalhas

No octógono bélico
lutamos tecnicamente
testando nossos limites
e ao sangrar com dor
recebemos aplausos.

Duas armas vivas atacam-se
com socos, chutes, cabeçadas,
cotoveladas, joelhadas, torções,
encontrões, projeções,
reversões e imobilizações.

Usamos bloqueios, esquivas
e aparamos golpes
rangendo os dentes
enquanto observam-nos.

Somos feras na jaula
com cicatrizes gravadas
como nobres medalhas
sob nossas peles.

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2011.

Foto: Stephan Bonnar vs. Krzysztof Soszynski, lutadores de UFC (Ultimate Fight Championship) em combate.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sabor da Guerra

O rubro sabor da guerra
está em meus lábios,
teu medo virou banquete.

Tua agonia sustenta
meu desejo de caça,
estou acima de tua sombra.

Observo teus movimentos
e logo conhecerás meu poder
em rasgar-lhe a carne.

Sou o terror que corre
enquanto teus ossos quebram,
tu esfriarás em minha lança.

- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2009.

Foto: "Crusades - The Massacre of Antioch" por Gustave Doré.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Guerra e Morte

 
Ele:
Correu pelas trincheiras,
furioso e indomável,
unindo amigos e inimigos
no campo de batalha.
Sorria em tons tão rubros
quanto sua armadura
atingindo as massas
com suas armas e ódio.

Ela:
Caminhava calma pelo solo
silenciosa ou barulhenta,
trabalhando entre os vivos
e levando os moribundos.
Neutra em ser seletiva,
sorria em tons tão cinzentos
quanto suas mortalhas,
escolhendo a quem beijar.

Ambos:
Com brutalidades: a Guerra.
Com mistérios: a Morte.
Entre afagos eles se deitaram
na massa de sangue e corpos,
fazendo uma alcova
para sempre se amarem
entre tantas missões.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2010.

Foto: "Crusade - Glorious Death of de Maille" por Gustave Doré.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fúria Selvagem

Meu ódio é extenso e implacável,
é uma fera faminta e voraz
que corre sobre tua sombra.
Não espere que eu tenha piedade
ao hesitar em lhe atacar.

Em minha mente tu sofres demais,
com meus olhos calculo tua distância,
com meu nariz sigo teu rastro,
pelos meus ouvidos busco teus sons
e com minha boca hei de lhe rasgar.

Minhas mãos estão armadas,
Enquanto as pernas lhe perseguem,
chore e esconda-se
cale-se e finja que sumiu
eu vou encontrá-lo.

Tua pele será separada da carne
em uma bruta tortura sem igual.
Acabou-se tua existência!
tu és caça, eu sou caçador
essa é minha fúria selvagem.

- Mensageiro Obscuro.
Novembro/2009.

Foto: "Dante and Virgil in Hell" de William Adolphe Bouguereau, 1850.