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Pesquisa no Abismo

Minha Arte

Mensageiro Obscuro é um escritor performático que possui um espetáculo solo no qual recita textos utilizando vestuários exóticos, maquiagens e outros recursos criados por ele. Escreve prosas poéticas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e experimenta outras formas de escrita.

Seus principais estilos e temas em suas obras são: aventura fantástica, realismo fantástico, autobiografia, onirismo, ultra-romantismo, simbolismo, drama, horror e suspense, ocultismo e misticismo, mitologias, filosofias, surrealismo, belicismo, natureza, comportamento, erotismo e humor.
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domingo, 4 de março de 2012

Máscara do Falso Poder

Há pessoas egocêntricas que não melhoram por dentro enquanto a vida passa, esses indivíduos possuem um passado capaz de rasgar suas mentes e seguem adiante com feridas abertas, adotando o sofrimento e pessimismo como estilo de vida. Sua decadência impede seu avanço vital em alguns campos como intrapessoalidade, vida social, afeto e sexo e até estudos e trabalho. Então, tal pessoa pode revelar-se confusa, orgulhosa, prepotente, arrogante, agressiva, grosseira, frustrada e insegura, e nesse sistema é possível criar um conjunto de mecanismos de fuga da vida e de si mesma precisando fingir-se de fria, indiferente, insensível e racional na tentativa vã e infantil de parecer superior; mas tudo não passa de uma maquiagem para disfarçar sua grande passionalidade e fragilidade notáveis. Têm pessoas infelizes e ferem-se facilmente no decorrer da vida, mas todo esse conjunto de defeitos cria defesas já catalogadas pela psicologia. Estar vivo na gangorra dos altos e baixos que ocorrem não é mesmo fácil para nós, em especial para quem entende a vida da pior maneira possível com um pessimismo corrosivo capaz de amargar as coisas mais belas e doces da vida; e de tanto medo da continuidade do ciclo vital tal ser acaba cometendo atos sem noção, justificando-os levianamente com argumentos pífios dignos de uma pessoa mimada.

Quando o amor próprio e a realização pessoal são minúsculos passa a existir uma prisão em nós mesmos transformando-nos em seres incapazes de lidar com nossos problemas em busca de soluções. Sem uma boa estrutura intrapessoal e emocional não poderemos ser grandes o suficiente para oferecer muito aos demais, nesse momento um sentimento de pequenez e amargura toma conta da mente dificultando a vida de forma geral. Portanto, nesse caso quem é muito pouco não terá conteúdo e atitudes para saciar as grandes personalidades encontradas durante a existência, devido a esses serem dotados de exigências proporcionais ao que podem oferecer e estes não se contenta com migalhas. Devemos aprender que superamos os problemas ou deixamos que eles nos superem, portanto devemos estar de bem conosco ou a vida nos ferirá intensamente.

O masoquismo é constante na vida de quem persiste em errar das mesmas formas, portanto a repetição gera a morbidez e esta se prolonga no apego pelo autoflagelo. É comum nos problemáticos que atirem seus problemas para “debaixo do tapete” ou "para cima dos outros" como mecanismo de transferência de sua negatividade para um alvo, assim tentando se aliviar de suas dores. Mentes perturbadas tornam-se uma “colcha de retalhos” que de tão emendadas não se tornam uniformes o suficiente para prosseguirem numa vida saudável em praticamente campo algum de suas necessidades. Existem várias fugas para a realidade e é até bom recorrer a elas vez ou outra, porém quando as fugas são mais comuns que o enfrentamento realista certamente possuímos um grave transtorno e trauma a corrigir, em especial o medo de viver que é realmente patológico.

Não é certo um indivíduo saudável e de bem com a vida guardar mágoa, rancor, raiva, tristeza e outros sentimentos negativos por gente muito doente da cabeça, é mais viável entender que essas são pessoas problemáticas e que precisam ser cuidadas e protegidas de si mesmas. Uma pessoa que apresente tantas defesas dá um sinal claro de fraqueza pessoal em termos afetivos e emocionais, porém mais fraco é quem não quer mudar e se prende a viver da pior forma. Problemáticos costumam ressaltar seus problemas e defeitos como regras inalteráveis; com isso persiste um drama quase teatral para chamar atenção que dizem ignorar. Gente assim dificilmente vence obstáculos, pois se consideram menores que seus entraves para as realizações. Tais seres escondem seus rostos por trás da máscara do falso poder e assim permanecem definhando em si próprias sendo dignas de pena e de ajuda especializada com tratamento adequado antes que seja tarde demais. 

- Mensageiro Obscuro.
Março/2012.

Foto: Máscara veneziana com tema musical sem referências encontradas através do Google Imagens.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Serenata Mortuária

O silêncio era a existência de leves murmúrios de folhas secas nas noites silenciosas, os sussurros misturavam-se à escuridão, fazendo o vento frio ao ouvido passar de um lado ao outro. A paz era firme naquele bosque gélido, animais fugiram assustados sem nenhum motivo aparente, algo estava perto, o que era eu não sabia. Pensei no ápice de minha solidão naquele local misterioso sobre onde estariam os amáveis brilhos das luzes e por qual razão o céu tão escuro não me revelava a intensa prata lunar. Que segredos guardavam esse lugar pelo qual caminhei? Eu filosofava amando aquela beleza tão sombria, aqueles encantos tão marcantes que me tornavam parte daquele local de uma forma inexplicável. Queria conhecer mais, queria ser parte daquele solo, flora, fauna, vento, água e tantas outras coisas que compunham o cenário de uma beleza noturna.

Pensei e mais perguntas e dúvidas vieram junto com o medo, senti uma baforada quente ao pescoço e vi um vulto correr veloz como um fantasma afoito, seu barulho cessou, voltei ao meu caminho, um tanto assustado, mas ainda curioso em sair daquela mata. Inesperadamente fui arrancado do chão e sucumbindo ao pânico fui arrastado árvore acima... meu pescoço foi rasgado, senti-me escoando em jorros, lentamente uma fera sugava meu sangue. Fui atacado por um vampiro ou demônio? Não importava. Fui mais uma nota nessa serenata mortuária, novamente veio o silêncio da noite.

- Mensageiro Obscuro.
Outubro/2006.

Foto: "Death as a Cutthroat" de Alfred Rethel (1851).

domingo, 20 de junho de 2010

Rastejante Maldito

Faminto em profunda decadência
e miséria rasteja o trôpego,
em sua desgraçada vida
o indigente apenas existe.

Farejava dor e putrefação,
ao mastigar restos e carniça
nomeado mordazmente:
Rastejante Maldito.

Rejeitado com chorume nas veias
sua carne repuxada sustentava
uma pele cadavérica
que sorria doentemente.

Distante de nossos sentidos
a fantasmagórica criatura
desejava uma vida verdadeira
mas só levou migalhas e surras.

Morreu! Um sem-número de cabeças
observaram seus restos mortais
negando que sua origem
é o mesmo ventre nos pariu.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2010.

Foto: "Escolhas" por William A. R. Ferreira.
Portal do artista: Will Artes

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Saqueador de Almas

Ele dormia envolto em nobres vestes com ricas jóias, um vampiro faminto, saqueador de almas corruptas, suas habilidades e poderes são tão intensos quanto sua fome e possuía um desejo pervertido e insaciável por vidas. O Poder corria por suas veias consumindo sua sanidade, sua energia exalava terror pelas noites nebulosas de caça. O usurpador saía faminto de seu túmulo à noite, sua luxúria era saciada em caçadas por carne e sangue.

Há muitos séculos perdera seus traços de humanidade, seu Ka fora amaldiçoado, não chegaria ao Amenti, ganhou uma existência amaldiçoada pelos deuses. Agora o Egito adquiriu um novo monstro sanguinolento. Passou suas garras e presas nos corpos de suas vítimas, dilacerou carnes e ossos por fome e prazer, corpos em espasmos foram consumidos pela fera, gritos e violência contagiavam ambientes invadidos.

Sobraram paredes e um assoalho manchado após sua visita. Correu para banhar-se, ainda com mãos e lábios vermelhos. Gargalhou de si mesmo vendo seu reflexo turvo, olhou seu próprio rosto pálido e brilhoso no espelho. Na banheira cochilou como se fosse seu valioso sepulcro. Sua ira e gula fizeram-no chorar parcas lágrimas inconsistentes. Sua noite estava acabando, tinha de fugir do sol, Vestiu outras roupas e retornou voando como névoa.

Sangue corrupto era o seu alvo, o Néctar do Justiceiro, era o Saqueador de Almas, um semideus sugador de sangue. Seus leais servos enalteciam de seu egocentrismo divino, somente espíritos nobres salvavam-se de sua fome agressiva. Novas noites sangrentas ainda alimentariam o insano usurpador infeliz.

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2007.

-- Glossário --

Amenti = Habitação dos mortos, a segunda etapa da Viagem. Morada de Osíris onde são julgados os mortos.

Ka = Estranha dualidade do morto: Alma e Guardião, Corpo Vital e Gênio Protetor.

Néctar = Alimento dos deuses. Dava imortalidade aos que o comiam e tornava-os eternamente jovens e radiosos.

Segunda Morte = Para os egípcios a morte material pouco importava, para eles era bem pior ser um espírito perverso a receber altas punições na sua pós-vida no Além, então a Segunda Morte sem dúvida era a pior punição acima de maldições divinas.

Foto: Boris Karloff como Imhotep no filme "A Múmia", 1932.

domingo, 20 de setembro de 2009

Lar de Minha Tristeza

Folhas secas caem em meu solo infértil, folhas tão secas como meu coração por dentro, estátuas desgastadas, quebradas e empoeiradas enfeitam minha morada tão decrepita. Todas elas tão esquecidas quanto meus sentimentos antes intensos e um dia tão quentes. Meu sarcófago está aberto e ansioso pelo meu corpo ainda tão vivo, minha alma está aderente ao sabor curioso e esperado da morte, não mais tenho esperanças em viver. Dor, tristeza e sofrimento transbordam, solitário estou, esperando o beijo da morte, e o lar de minha tristeza ainda está erguido! Beije-me, sentencie-me ao fim, faça de mim uma pedra! Que eu seja a pedra na cabeça dos inimigos, que sintam minha dor e angústia em seus corpos. Para a glória de meu ego, abandono o perdão e digo: maldita hora em que nasci e cresci!

Lágrimas e dores corroem meu tolo espírito, seres espectrais perturbam-me em solo sagrado, sacerdotes macabros fingem benevolência, eu os odeio e eles fingem me amar. Lar de minha tristeza, dor em minha morada, eis meu refúgio do martírio nessa sentença decadente! Prisão secreta onde choro sem temor de ser visto, onde o solo comerá de minha carne aos meus ossos. Agora deixem-me saborear as desilusões de minha vida morta enterrado no lar de minha tristeza.

- Mensageiro Obscuro.
2005.

Foto: Algum túmulo em um cemitério (arte cemiterial e tumular).