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Pesquisa no Abismo

Minha Arte

Mensageiro Obscuro é um escritor performático que possui um espetáculo solo no qual recita textos utilizando vestuários exóticos, maquiagens e outros recursos criados por ele. Escreve prosas poéticas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e experimenta outras formas de escrita.

Seus principais estilos e temas em suas obras são: aventura fantástica, realismo fantástico, autobiografia, onirismo, ultra-romantismo, simbolismo, drama, horror e suspense, ocultismo e misticismo, mitologias, filosofias, surrealismo, belicismo, natureza, comportamento, erotismo e humor.
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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Inquietude


Acordo inquieto após vagar
pelas estreitas lacunas,
fugindo da tensão e vergonha
que torram meu cérebro.

Esses lábios ainda caminham
aos trancos pelas tortas
vielas do pensar
e no pesar durmo.

Um grito se desloca
por meus neurônios
e permaneço mudo
na silenciosa introversão.

E de tantas realidades
só extraí lisergias,
delas surgiram vergonhas,
um esqueleto desconstruído
e uma larga inquietude.

- Mensageiro Obscuro.
Agosto/2011.

-- Glossário --

Lisergia =
"Lisergia é o acrônimo de LSD, Lysergsäurediethylamid, palavrão feio... é o estado de alucinação e psicodelia. Composição das palavras gregas psiké (mente) e deloun (sensorial). É um termo que surgiu na década de 60 quando, com o uso se drogas alucinógenas como o LSD, muitas pessoas tiveram abertas as portas da percepção. É uma manifestação da mente que produz efeitos profundos sobre a experiência consciente.
É aquela viagem louca que você tem ao qual desloca sua mente do seu corpo, onde sensações são sentidas na mente e não no corpo, psicodelia total, assim eram por exemplos Pink Floyd e Creedence em seus vídeos clipes.
Estado em que vivem os chapados... que curtem um barato e voam para uma realidade imaginária e ilusória... tipo os fanáticos que se iludem com o Paraíso.
Progressive é a vertente mais calma, lenta e de extrema lisergia do Psy Trance."
- Bruno Filizola via Dicionário Informal.
(correções de minha autoria)

Foto: "Hand with Reflecting Sphere" de M. C. Escher, 1935.
Fonte: http://www.mcescher.com

sábado, 24 de março de 2012

Doce Realidade

"(...) And nobody does it better
makes me feel sad for the rest
nobody does it half as good as you
baby baby darling
you're the best
baby you're the best (...)"

- "Nobody Does It Better" de Carly Simon.

Quando estive tão cético sobre o amor, tão farto das raras farras vividas que já nem tinham mais sabor, e sem ter sentido a intensidade de um amor verdadeiro e correspondido aconteceu de eu ser procurado por uma mulher de uma terra longínqua por uma comunidade da rede social Orkut. Quando encontrado virtualmente por ela em dezembro de 2010 eu estava sem feridas abertas, apenas com cicatrizes de decepções passadas e superadas. Preferi pensar que sou uma peça de quebra-cabeças sem encaixe exato com outras peças, porém um "bon vivant" dentro do meu possível, mesmo parecendo um alienígena. Fui surpreendido por uma série de semelhanças enquanto a vida pareceu fazer piadas exóticas comigo, mas não recuei, a curiosidade foi maior enquanto eu me envolvia lentamente. Após meses de tantas trocas de experiências, confissões, brincadeiras e risos começamos a conversar bastante em quase todos os dias pela internet.

A distância que nos separa não impediu meu fascínio por sua personalidade, comportamento, pensamentos, sentimentos, objetivos e tantos outros detalhes. Nesse ponto criamos a sintonia mental. Marcamos minha viagem, tivemos entraves, aconteceram imprevistos, mas decidi viver uma grande aventura ao viajar de avião para conhecer Curitiba, a distante capital do Estado do Paraná, bem longe do Estado do Rio de Janeiro onde nasci e fui criado. Então, em outubro de 2011 eu conheci pessoalmente uma mulher que mexeu com meu ser nos últimos meses. Foi inédito viajar de avião e conhecer a capital de outro Estado, outras descobertas me aguardavam e eu torcia por isso, tanto que esperava viver um romance intenso, porém curto por conta de nossa distância.

Cheguei a São José dos Pinhais e esperei por ela, nos encontramos e abri os braços cobrando meu abraço prometido, demos um forte abraço giratório e quando a coloquei ao chão falamos poucas palavras, quis criar um jeito para beijá-la, mas não tive palavras certas, então a puxei pela cintura e nos beijamos intensamente. De nosso primeiro beijo criamos a sintonia física e ao pegar um ônibus para Curitiba aos beijos uma trilha sonora romântica do rádio nos acompanhou, justamente tocou a música "Nodody Does it Better" de Carly Simon, a qual é trilha sonora do filme "007 - O Espião Que Me Amava" (The Spy Who Loved Me) de 1977, que anteriormente eu já lhe dizia que combinava completamente com seu rosto de espiã soviética.

Percebemos por pensamentos e sentimentos que vibramos na mesma sintonia mental e física; após tantos beijos, mordidas, abraços, cafunés, toques, “upas” e colinhos eu a pedi em namoro pois tive certeza que ela era a mulher que eu queria. Nossa aventura foi de oito lindos dias apreciando cada momento juntos como se fossem os últimos, sem medos e sem travas. Esse foi o encontro de dois aventureiros livres tão famintos pela descoberta de um novo mundo, onde estávamos envolvidos profundamente. Iniciamos a construção de nosso romance e essa foi a primeira de outras aventuras, pois ainda temos muito a viver em conjunto com nosso companheirismo e diálogo. Parece um sonho... mas é nossa doce realidade.

- Mensageiro Obscuro.
Janeiro/2012.

Foto: Jardim Botânico de Curitiba - PR, foto tirada por mim no meu último dia de passeio em 27 de outubro de 2011.

domingo, 4 de março de 2012

Máscara do Falso Poder

Há pessoas egocêntricas que não melhoram por dentro enquanto a vida passa, esses indivíduos possuem um passado capaz de rasgar suas mentes e seguem adiante com feridas abertas, adotando o sofrimento e pessimismo como estilo de vida. Sua decadência impede seu avanço vital em alguns campos como intrapessoalidade, vida social, afeto e sexo e até estudos e trabalho. Então, tal pessoa pode revelar-se confusa, orgulhosa, prepotente, arrogante, agressiva, grosseira, frustrada e insegura, e nesse sistema é possível criar um conjunto de mecanismos de fuga da vida e de si mesma precisando fingir-se de fria, indiferente, insensível e racional na tentativa vã e infantil de parecer superior; mas tudo não passa de uma maquiagem para disfarçar sua grande passionalidade e fragilidade notáveis. Têm pessoas infelizes e ferem-se facilmente no decorrer da vida, mas todo esse conjunto de defeitos cria defesas já catalogadas pela psicologia. Estar vivo na gangorra dos altos e baixos que ocorrem não é mesmo fácil para nós, em especial para quem entende a vida da pior maneira possível com um pessimismo corrosivo capaz de amargar as coisas mais belas e doces da vida; e de tanto medo da continuidade do ciclo vital tal ser acaba cometendo atos sem noção, justificando-os levianamente com argumentos pífios dignos de uma pessoa mimada.

Quando o amor próprio e a realização pessoal são minúsculos passa a existir uma prisão em nós mesmos transformando-nos em seres incapazes de lidar com nossos problemas em busca de soluções. Sem uma boa estrutura intrapessoal e emocional não poderemos ser grandes o suficiente para oferecer muito aos demais, nesse momento um sentimento de pequenez e amargura toma conta da mente dificultando a vida de forma geral. Portanto, nesse caso quem é muito pouco não terá conteúdo e atitudes para saciar as grandes personalidades encontradas durante a existência, devido a esses serem dotados de exigências proporcionais ao que podem oferecer e estes não se contenta com migalhas. Devemos aprender que superamos os problemas ou deixamos que eles nos superem, portanto devemos estar de bem conosco ou a vida nos ferirá intensamente.

O masoquismo é constante na vida de quem persiste em errar das mesmas formas, portanto a repetição gera a morbidez e esta se prolonga no apego pelo autoflagelo. É comum nos problemáticos que atirem seus problemas para “debaixo do tapete” ou "para cima dos outros" como mecanismo de transferência de sua negatividade para um alvo, assim tentando se aliviar de suas dores. Mentes perturbadas tornam-se uma “colcha de retalhos” que de tão emendadas não se tornam uniformes o suficiente para prosseguirem numa vida saudável em praticamente campo algum de suas necessidades. Existem várias fugas para a realidade e é até bom recorrer a elas vez ou outra, porém quando as fugas são mais comuns que o enfrentamento realista certamente possuímos um grave transtorno e trauma a corrigir, em especial o medo de viver que é realmente patológico.

Não é certo um indivíduo saudável e de bem com a vida guardar mágoa, rancor, raiva, tristeza e outros sentimentos negativos por gente muito doente da cabeça, é mais viável entender que essas são pessoas problemáticas e que precisam ser cuidadas e protegidas de si mesmas. Uma pessoa que apresente tantas defesas dá um sinal claro de fraqueza pessoal em termos afetivos e emocionais, porém mais fraco é quem não quer mudar e se prende a viver da pior forma. Problemáticos costumam ressaltar seus problemas e defeitos como regras inalteráveis; com isso persiste um drama quase teatral para chamar atenção que dizem ignorar. Gente assim dificilmente vence obstáculos, pois se consideram menores que seus entraves para as realizações. Tais seres escondem seus rostos por trás da máscara do falso poder e assim permanecem definhando em si próprias sendo dignas de pena e de ajuda especializada com tratamento adequado antes que seja tarde demais. 

- Mensageiro Obscuro.
Março/2012.

Foto: Máscara veneziana com tema musical sem referências encontradas através do Google Imagens.

domingo, 20 de novembro de 2011

Baseado em Desejos Reais

Você reclama quando minha cabeleira se mistura com a sua, mas no fundo gosta quando nossos fios se mesclam nos abraços quase agressivos, quando meus lábios roçam sua face delicada e seu pescoço convidativo e sei que isso te provoca. Da última vez que nos encontramos ficamos com os corpos colados e você disse que sou como um urso faminto com boca úmida e olhar animalesco, então, ao te olhar assim, minha boca gulosa se molha por eu ter fome e sede além de sua compreensão, isso é natural, faz parte do meu ser.

Lembro que você se arrepiou ao observar meu sorriso misterioso dizendo que te causava uma sensação esquisita, mas cogito saber que sensação é essa... poderia ser um medo de viver algo etéreo, diferente da habitual constância materialista que chama de “relacionamento sério” ou algo do tipo. É certo que sou muito racional e pouco sentimental como bem me conhece, mas na sua presença deixo minha humanidade de lado e abandono-me no piloto automático, instintivo, ligado nos 220w. Com essa alta voltagem tento cativar seus pensamentos, sentimentos, carícias e gerando confissões. Quero que tenhamos uma sintonia secreta, quero algo só nosso e que pelas sensibilidades de nossos corpos tenhamos ligações difíceis de traduzir... nessas vibrações contínuas sigo por sendas complexas.

Por hora, tudo é memória e eu sigo trilhas distantes demais da compreensão do comum, onde não ouso pronunciar as traduções do que se passa em mim; minhas mãos seguem correndo por canetas e papéis tentando espremer o sumo das facetas do meu interior, estou procurando mais cargas expressivas entre construções e escombros no meu universo interior e isso não é fácil, é lá onde fico quando quero e por quanto tempo quiser sem a entrada de forasteiros.

Sou vivente na interseção entre a realidade e fantasia tentando expressar o que penso e sinto nas nuances de tantas variações. Assim como um fantasma eu sumo e apareço, viajando entre realidade e fantasia, dessa forma fundo-me nas nuances da matéria e éter. Desejo captar saberes e prazeres que me tirem daqui por agora, o tédio me consome e uma aventura inesperada mataria por completo esse verme parasita que insiste em me devorar por dentro: o maldito tédio.

Sinto-me um tanto decadente, quero e vou mais além, não em físico no momento, falta-me dinheiro e um tanto de coragem para sair de madrugada e ir onde quero, seria até complicado ir para tais locais, moro longe demais deles e a viagem já seria por demais tediosa. Caso existisse o poder de teleporte eu poderia tomar um banho relaxante e me vestir para me teleportar para onde quero, eu iria para onde batesse vontade, sem enfrentar o trânsito, pedágios, dinheiro de passagem, violência, poluição sonora, fumaça de cigarro, gente que fala cuspindo, gente idiota e outras coisas. Certamente eu apreciaria essas viagens solitárias espectrais, isolando-me onde fosse escuro e gelado como o abismo que tanto aparece em meus sonhos, como montanhas e cavernas a ser aventuradas por quem tem um peito nu sem medo do frio dos perigos.

Eu estaria em casa quando adentrasse um espaço natural totalmente isolado das minhas rotinas, me manteria longe dessa vida provinciana que me enoja e nesses inusitados momentos eu sentiria um sono cansado somado com tédio. Bem, você sabe que sou aventureiro do conhecimento, que os saberes e prazeres me atraem e cativam e com tantos fascínios sou figura solta, que vivo em você uma nova aventura repleta de acontecimentos que por vezes fogem ao controle, mas é assim que gosto de viver nessa gangorra de inspirações nas quais me afundo como noutras coisas da vida: sem grilhões e raízes. Então não diga nada quando meu corpo falar o que quer de você, apenas aceite ou negue, estou preparado para ambas as decisões, então não fale, simplesmente faça intensamente... a vida é curta.
Saiba agora: só consigo amar desapegado sem cobranças, ciúmes, possessividade, loucura e perturbações, assim vivo, assim amo... só quero outros amores doces, a vida já é por suficiente amarga em sua dura realidade.

Devemos buscar amor e poder em nós mesmos, pois ter amor e poder em coisas e pessoas é só um meio de usar muletas para não tombar no próprio fracasso, por isso eu te amo, mas sem o apego que tantos insistem em ter ao amar e viver. É dessa forma que mostro pelo corpo e pelas palavras o quanto te desejo e quero bem. Quando eu sentir qualquer amarra sua vou me soltar como um escapista experiente, não por temor do cárcere, mas por ser rebelde o suficiente para viver o egocentrismo de fazer e ser apenas o que quero, assim sou e assim continuarei a ser. Entendo que não posso cobrar que ninguém tente entender a intensidade e sutileza de meus mistérios e segredos, assim como de outras tantas coisas, então caso queira me encontrar estarei me aventurando por vários cantos desse mundo deixando minhas pegadas metamórficas e talvez eu volte com mais umas cicatrizes como recordações.

- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2010.

Foto: Gangorra encontrada no Google Imagens.

terça-feira, 14 de julho de 2009

O Arlequim Tragicômico


Tenho que entender que a vida nem sempre pode ser analisada como um monte de análises críticas, cálculos, metodismos, reformulações mentais e demais conceitos que agilizam ou atrasam minha evolução. A evolução de consistir em taxas de equilíbrio entre minhas atitudes ofensivas e defensivas, amistosas e inimizantes e entre tantas outras dualidades presentes em meu ser.
Noto que consigo ser uma das poucas pessoas que eu conheça que é tão dualista com emoções, a maior prova disso é o meu amor e ódio interno que engloba até a mim mesmo, eu sou talvez o único que consegue amar-se e odiar-se, oscilando em diversas fases de aderência e ostracismo sociais para a reformulação personalística, isso causa diversos conflitos interiores causadores de falhas psíquicas retráteis, algo parecido com um sincopismo de fatos e uma inconstância muito estranha.
Já passei por várias revoluções internas, elas me melhoram, mas é esse o alto preço do poder: perco minha humanidade me tornando automático e programado, cada vez mais insensível e chega a ser cômico como pareço um arlequim a rir de minha própria desgraça fazendo de minha vida um palco de emoções e atitudes intensas, harmônicas e desarmônicas. Eu posso dizer que sou meu melhor amigo e meu pior inimigo, pois ora faço o que preciso, ora me acovardo e sou corajoso o suficiente para admitir meus erros e desejo melhorar, isso me torna superior a muitas pessoas, ao mesmo tempo noto que ninguém é superior, cada pessoa possui uma série de pontos antagônicos e nesse antagonismo contínuo aqui estou.

É complicado estar sempre explicando como as coisas funcionam em minha mente, às vezes tenho a impressão de pensar em duas coisas por vez e ao mesmo tempo minha versatilidade se aplica a atitudes físicas pouco complexas, mas consideravelmente talentosas para alguém jovem, nem por isso acho-me brilhante, pelo contrário. Nunca é bom pensar que sou o melhor, mesmo pela razão de não o ser e em seguida por saber que posso ser alguém melhor a cada vez que descubro uma nova falha. E mais uma vez como um arlequim risonho a encantar a platéia eu estou protegido atrás de minha máscara e divirto-me solitariamente.
Vivo sendo criticado pelo meu perfeccionismo e auto-modelagens sucessivas, sou quase obsessivo quanto a minha expansão e que em algumas ocasiões pareço ter uma indignação com minha vida, acredito que eu seja insatisfeito com quase tudo, posso ser catalogado como alguém de "espírito perturbado" por ser sempre tão penetrante em metas de autocorreção e expansões comportamentais.

Como se fosse o grande artista que não sou, quem sabe um simples arlequim tragicômico diante do palco social, digo que só sou um homem em busca da minha evolução física, mental, profissional e espiritual e nada irá me fará mudar meu estilo em prol do sacrifício de minha felicidade egoísta para realizar o crime de agir como a sociedade quer, criando a felicidade altruísta; em seguida abaixo as cortinas do espetáculo e me retiro desse palco virando-me de costa bruscamente ignorando essa grande platéia dissimulada.


- Mensageiro Obscuro.
2004.

Foto: "Arlequim e Pierrot" de André Derain, 1924.

Vivendo Entre os Seres Cíclicos

É perturbador viver em um mundo no qual sou impossível de me encaixar. A maioria das pessoas são vítimas do que chamo de Sistema Vital Cíclico, em que as pessoas se prendem a padrões para felicidade, opiniões, preferências, objetivos, estética, vestuário e outros fatores para seguir em modo linear um padrão de vida que engloba desde o interior ao exterior do indivíduo. Pessoas cíclicas costumam apresentar as seguintes características comportamentais: acreditam em verdades absolutas e aceitam imposições; fazem vários atos sem medir consequências; são facilmente manipuláveis e vítimas de modismos; aparentemente vivem sem propósitos específicos como se viessem ao mundo para passar férias; acreditam em padrões únicos para se chegar a um objetivo; casam-se e tem filhos por mero hábito como se fosse uma obrigação social e não tem muito o que ensinar a seus filhos na maioria das vezes; quando tem filhos não aceitam que eles sejam muito diferentes deles, agindo com pré-conceitos e desejam que seus filhos sejam cópias de si mesmos; não aceitam exotismos a menos que estes sejam aceitos pela sociedade burguesa e da mídia de massa; não costumam se rebela contra nada que atrapalhe suas vidas por julgarem-se fracos perante o mundo; não tentam entender as pessoas diferentes e chamam de loucos todos que não são como eles; e sabem rir do que e de quem desconhecem por serem ignorantes e temem o desconhecido sem estudá-lo por ser mais fácil excluir do que tentar entender.

Em resumo pessoas cíclicas não estão aptas a conviverem comigo sem me julgar como insano, que por sinal é algo que com certeza não sou. Já fiz exames de saúde mental e foi constatado duas vezes que estou acima da média de sanidade mental, por outra interpretação posso ser insano se for interpretado pelo fator de equilíbrio. Como disse uma professora do primário para minha mãe certa vez: "Ele não é maluco, é apenas uma criança muito estranha." O pior não é me julgar negativamente e sim fingir que me aceita e entende, estou sempre disposto a esclarecer dúvidas ao meu respeito, mas atualmente estou desistindo dessa idéia, tem gente que entende tudo errado como já senti na pele as graves consequências sendo acusado de ser o que não sou e fazer o que nunca fiz. Ser pré-julgado negativamente é horrível, eu senti na pele e não desejo a ninguém (talvez somente aos piores inimigos...)...
É bom frisar que não são todas as pessoas comuns que são tão fechadas para uma percepção mais apurada a respeito das coisas da vida, mas estas são raras, geralmente as pessoas cíclicas são estagnadas, limitadas, ignorantes, incompreensivas, alienadas, conservadoras, unilaterais, e dependem de mentalidades pré-formuladas.
Já as pessoas incomuns, que são muito raras, são expansíveis, ilimitadas, compreensivas, conscientes, multi laterais e criam suas próprias mentalidades. Em suma, podemos dizer que é traçada uma linha dualista entre a normalidade e a anormalidade, ser anormal não é algo negativo, apenas ilógico para quem não entende a diversidade personalística. É possível notar que os grandes homens e mulheres da humanidade que se imortalizaram por seus feitos e obras eram pessoas anormais, pois o normal só copia e julga mal, já o anormal cria e modela. A produção intelectual pode provir de pessoas julgadas normais, mas estas costumam ter potencialidades bem reduzidas se comparadas com pessoas excêntricas, exóticas e que estão intelectualmente à margem da sociedade.

Falar para uma pessoa cíclica sobre coisas fora de seu entendimento pode ser um erro fatal sujeito a a ser negativizado perante outros sentimentos e emoções nocivas quanto ao ser diferente e é justamente por isso que passo ao explicar sobre tudo que sou, por isso me protejo em mistérios e enigmas que só podem ser solucionados por pessoas muito especiais que posso contar nos dedos.
Não posso me revelar para todos que conheço, os efeitos são muito perigosos e tem coisas que não posso explicar. As respostas são complexas demais para mentes vãs e fracas, por isso meço quem me rodeia e só permito a poucos que me conheçam além do limite estipulado.
Sou obscuro mesmo, ou seja, significa que não posso ser compreendido por pessoas comuns, somente pessoas mentalmente maduras conseguem entender uma parte do que sou e percebem as pistas misteriosas que dou sobre mim. A maturidade não se refere a idade e sim atitudes e gestos que provam que o indivíduo cresce constantemente. É tudo como um enorme quebra-cabeças, mas só posso dar no máximo 70 das 100 peças do meu tabuleiro, isso só para quem for realmente testado e aprovado em minha seletividade. Pode-se saber muito sobre mim, mas jamais será possível saber tudo, sou misterioso por natureza, tudo é silenciado em prol de minha auto-preservação e auto-suficiência.

Sinto-me perturbado por tudo que sou, é duro expressar-me sabendo que não me entenderão, com todos esses acontecimentos acabo por concluir que é impossível que eu tenha uma boa vida social sem máscaras, portanto é melhor adotar uma atitude de uso de máscara social, assim fingindo ser muito menos do que sou e mascarando minha excentricidade poderei usufruir de uma vida social um pouco satisfatória. Quando algo não pode ser conquistado tenta-se comprar da maneira mais sagaz. Não sei como se julga isso, mas por questões de sobrevivência quando uma porta não se abrir tente entrar por uma janela.
Ninguém entende meu Processo de Vida e Morte, no qual vivifico minha parte harmônica e mato minha parte desarmônica. Agora basta saber que parte minha deve viver e qual irá morrer, já que minha excentricidade é o meu maior brilho. Sem minha excentricidade sou inútil e não conseguirei viver, por sorte minha natureza é imutável. Pensando nisso devo sempre me aceitar, mesmo que ninguém me aceite e eu seja obrigado a deixar todos que me rodeiam para trás matando a vida que tenho para renascer bem distante realizando minhas vontades e sendo quem realmente sou, independente dos fatores que dificultem minha aceitação social tenho consciência que tenho missões a cumprir em vida e não posso permitir que nada atrapalhe minha busca pelo que chamo de Poder.

É necessário interpretar com acuidade o mundo cultural ramificado que está ao nosso redor. A cultura de massa funciona como um veículo de distração para os grandes problemas nacionais e internacionais, essa aquisição de conceitos pré-modelados gera a padronização cultural e social, em contraste acrescenta e fortifica preconceitos a tudo que está à margem do senso comum que impõe regras e estilos forçados para todos os possíveis fins, tornando o comportamento dos influenciados automático e limitado. As barreiras limitadoras da cultura de massa agem na psiquê humana evitando que os manipulados não saibam se comportar adequadamente diante do exótico como um todo.
Seu desrespeito pela opinião diferencial causa graves transtornos sociais perante os excluídos, muitas vezes ridicularizadas, as pessoas marginalizadas por não se enquadrarem na padronização massificante, permanecem como membros incompreendidos e inadaptáveis ao regime preconceituoso e pouco abrangente.

A discriminação ridiculariza, critica sem embasamento e exclui indivíduos não correspondentes ao perfil exigido pelos grupos modistas estáticos e pouco receptivos; por razões de estagnar o conhecimento e prendê-lo ao que a mídia e o empirismo não fundamentado conseguem, a ignorância e seus efeitos nocivos ampliam diversos fatores negativos no convívio social e na própria mente dos indivíduos, assim eles crescem iludidos com seu estilo de vida e tornam-se descrentes, insensíveis, inflexíveis em contraposição aos problemas e soluções para sua própria existência.

Os alienados tem uma padronização em seguir modismos regidos pela mídia manipuladora, esse comportamento repetitivo é motivo de prestígio entre seus semelhantes.O modismo externa uma grande deficiência ou ausência de senso crítico, uma má avaliação empírica, argumentos depreciáveis e respostas ilógicas e incoerentes. A imensa falta de opinião individual dos modistas faz com que sua opinião seja quase sempre monossilábica e sem alicerces argumentativos, fazendo dos influenciados indivíduos facilmente manipuláveis e pouco racionais diante de situações que exijam uma boa base cultural necessária para que escolham e separem o que é benéfico ou nocivo; existem poucas variantes dentro de seu gosto pessoal estreito. Seja pela música, vestuário, comportamento social, objetivos de vida e demais fatores, o modismo está presente em diversos hábitos e interfere diretamente nas relações sociais, tornando suas relações harmônicas somente entre seus semelhantes.


- Mensageiro Obscuro.
2004.