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Pesquisa no Abismo

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Mensageiro Obscuro é um escritor performático que possui um espetáculo solo no qual recita textos utilizando vestuários exóticos, maquiagens e outros recursos criados por ele. Escreve prosas poéticas, poesias, contos, crônicas, pensamentos, frases e experimenta outras formas de escrita.

Seus principais estilos e temas em suas obras são: aventura fantástica, realismo fantástico, autobiografia, onirismo, ultra-romantismo, simbolismo, drama, horror e suspense, ocultismo e misticismo, mitologias, filosofias, surrealismo, belicismo, natureza, comportamento, erotismo e humor.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Mercadores de Almas

Párias malditos, semeadores da mediocridade humana! Esses são os prisioneiros de suas crenças decadentes e vazias, tão acorrentados em dogmas e conceitos inferiorizantes. Eles são os moralistas contraditórios em negar sua realidade como picaretas e intolerantes, demonizadores de culturas, proselitistas teocratas e fundamentalistas arcaicos. Pobres seres estagnados! Tão mortificados em seu credo lixo e desasiadamente crentes no discurso apologético de um livro muito morto. Os mercadores de almas são os grandes inimigos da razão e lógica, caçadores das mentes pensantes da diversidade, são os especistas, hipócritas, demagogos e machistas, cultistas fiéis do Deus Dinheiro e seu poder distorcido que corrompeu sua essência.

Eis seu deus material e suas crias de almas viciadas e torpes de lânguidas mentes tão radicais. Vestem seus símbolos de decência, abraçando o diabo travestindo como seu deus de esterco. Em suas empresas da fé eles vendem mercadorias inexistentes assim como sua noção de realidade, então compram, vendem e alugam almas em prol de alienações. Torço pela era em que todos esses abusos históricos serão apenas páginas de um passado maldito em um mundo cada vez mais cético.

- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2007.

-- Glossário --

Mercadores de Almas = Nome pejorativo para líderes religiosos proselitistas, aplicado para definir clérigos católicos, pastores cristãos, aiatolás, gurus e assim por diante. Esse termo é associado a líderes religiosos manipuladores de massas de alienados, escravizados, manipulados e limitados pelo Sistema.

Foto: Foto satírica onde o papa Bento XVI veste-se como nazista. Encontrado no Google Imagens sem referências encontradas.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Vampiro Também Paga Conta no Bar (2ª versão)

Seu Sebastião era um homem simples, por volta de seus 50 anos bem ativos como dono de bar nas madrugadas em São Gonçalo no Estado do Rio de Janeiro. Um homem alto de corpo médio, pele clara, olhos castanhos apertados, cabelos ondulados muito curtos e pretos com alguns fios grisalhos e brancos, começava a ficar careca e tinha um bigode grosso e grande. Ele vestia uma camiseta verde e uma bermuda preta com frisos laterais brancos e chinelos de dedo em cor preta um tanto gastos. Esse senhor ganhava a vida vendendo bebidas e petiscos em seu boteco nas noites e madrugadas da cidade, a vida era dura, ainda mais com tantos problemas para enfrentar noite após noite naquele bairro, cada vez mais abandonado e escuro, esquecido pelos políticos locais. Era uma madrugada de sábado em agosto, quando chegaram em seu bar dois homens, que se sentaram em uma das mesas  enquanto conversavam em tom baixo. Sebastião percebia olhares de ambos para as bebidas e para ele, isso pareceu natural a princípio. 

O primeiro homem a chegar era muito alto com corpo forte, pele muito branca e brilhante, boca levemente avermelhada e brilhosa, cabelos lisos e loiros pouco abaixo do pescoço, presos em um rabo de cavalo. Vestia um camisão preto de cetim, um sobretudo de couro preto azulado que alcançava um palmo acima de seus calcanhares, calças médias de veludo molhado, cinto com fivela de prata, botas longas de couro preto azulado com bico largo e cadarços também pretos e usava um óculos escuro de lentes redondas com armação preta fosca. Já o segundo homem  que entrou no bar, também tinha rosto fino com nariz comprido, boca fina e sobrancelhas grossas, sua pele era muito clara e boca brilhosa, era mais magro e mais baixo com estatura mediana, tinha cabelos castanho escuros cacheados pouco abaixo da altura das orelhas, também usava óculos escuros de armação preta eu ocultavam seus olhos como seu colega. Ele usava um terno preto básico, com camisa branca e sem gravata, tinha uma medalha de prata ao pescoço, um anel de prata com um rubi pequeno no dedo anular da mão esquerda, uma pulseira fina trançada de ouro no pulso direito e um relógio de corrente que ficava em seu paletó.

Talvez eles fossem membros de uma banda de metal, rock, gótico ou alguma coisa alternativa que o filho do comerciante ouvia, talvez esivessem voltando de um show na cidade, em Niterói ou na Cidade do Rio de Janeiro como podia bem acontecer. Eles pediram uma cerveja que chegou bem gelada dentro de um recipiente térmico colocado em cima da mesa branca de metal, os homens ficaram ali, parados conversando baixo com seus copos e ainda estavam com seus óculos, pessoas com óculos escuros de noite era algo bem raro na cidade, logo causava estranhamento. Sebastião atendia outras pessoas, a noite estava com movimento médio com algumas pessoas sentando para comer e beber, um senhor de meia idade mal vestido e magrelo dançava ao som da vitrola na qual tocava um pagode bem pé-de-chinelo, outras pessoas riam da dança tão tosca, incluindo os misteriosos homens de preto. Logo duas mulheres chegaram, eram conhecidas no bar como vadias por saírem na madrugada em busca de homens que bancassem bebidas para elas, em troca elas ofereciam favores sexuais, era uma venda bem barata pelos seus corpos que já não eram tão grande coisa, mas ainda despertariam interesse em alguns homens não tão exigentes com padrões estéticos. Elas avistaram a exótica dupla com a garrafa de cerveja ainda cheia e logo sorriram para eles.

As moças vestiam trajes vulgares, seus modos para falar e sentar também eram bastante indiscretos apesar de uma delas estar com uma saia bem curta. Era uma moça de pele morena escura, sua pele era bronzeada com marcas de biquini de praia, com baixa estatura, corpo magro com curvas, olhos castanhos escuros grandes, boca vermelha carnuda, cabelos cacheados pretos na altura dos ombros. Vestia uma blusa modelo "tomara que caia" preta e uma saia vermelha curtíssima e colante, levemente transparente que facilmente marcava sua calcinha minúscula, levava uma bolsinha vermelha com detalhes pretos e sandálias de salto alto combinavam com sua bolsa. Sua colega era também bronzeada com marcas de biquini de praia, tinha cabelos loiros tingidos em tom muito claro em corte repicado até o meio dos seus braços, seu rosto era até bonito apesar de uma certa expressão cansada e pesarosa, seu destaque era uma boca carnuda com belos dentes, seu corpo era firme com poucas curvas com altura mediana. Usava um vestido curto branco com estampas coloridas que marcava suas roupas íntimas, sua bolsa era branca assim como suas sandálias com salto baixo.

Elas fingiram não dar muita confiança a tal dupla exótica por puro charme, então sentaram em dois bancos do balcão e ficaram conversando e rindo do velhinho que dançava ao som do pagode. Sebastião notou que a dupla sentada à mesa observava as pessoas do bar, tinha algo bem incomum na maneira como observavam os outros, pareciam esperar algo, talvez alguém ou quem sabe até estariam tramando algo. Não tinha como saber o que eles queriam em seu bar além da bebida que esquentava na mesa, eles o observavam de volta. Isso era um tanto incômodo, mas necessário para quem tem a experiência de lidar com os mais diferentes e perigosos tipos de pessoas, pois nas madrugadas da vida boêmia os tipos mais comuns e mais bizarros são visitantes corriqueiros.

Aquela pele branca da dupla de clientes lembrava uma maquiagem, não dava para saber ao certo o que eles usavam no corpo, mas era algo realmente diferente. Ele não gostava daquela aparência, lembrava as bandas Secos e Molhados e Kiss, ele não gostava do Ney Matogrosso e com certeza desconfiou daqueles jovens senhores. Finalmente aqueles dois beberam uns goles da cerveja, pelo menos o comerciante teve essa sensação ao notar os copos mais vazios assim que seus olhares voltaram para a mesa deles, o mais forte lhe deu um sorriso meio sem graça, seguido de um sorriso do seu colega, novamente Sebastião se concentrou em seu trabalho.

- Não tô gostando desses caras esquisitos no meu bar, o que eles querem? E aquelas vadias, o que fazem aqui novamente? Será que buscam cornos ricos ou clientes para programa? - pensou Sebastião lavando outros copos e separando troco para outros clientes.

Naquele momento os homens abaixaram seus óculos e sorriram para as moças espalhafatosas sentadas ao balcão, elas corresponderam aqueles olhares e sorrisos sedutores, logo se aproximaram da mesa deles que tinha duas cadeiras vagas.

- Cheguem mais, vocês estão aí sozinhas. É bom ter companhia para curtir a noite. Querem uma cerveja? - disse o homem de terno.

- Aceitamos sim, bonitão, mas essa cerveja aí tá gelada? - disse a morena de blusa e saia.

- Está sim. Bebam conosco! - o homem de sobretudo alisou a garrafa e estalou os dedos em cima do gargalo da mesma, esta gelou como se saída da geladeira.

- Hummm... que lindo, temos um mágico na noite. - disse Priscila sorrindo para a dupla sentada à mesa.

- Meu amigo também é "mágico", depois faremos uns truques para vocês. - disse o grandão de sobretudo.

- Sintam-se à vontade, são apenas 01:45 da manhã, a noite ainda será longa. Prazer em conhecê-las, chamo-me Wilson e esse é meu amigo Gilson - disse o homem de sobretudo ao se dirigir para as moças apresentando seu amigo.

- O prazer é todo nosso, sou a Patrícia e essa é a Priscila. - disse a loira de vestido para os homens de preto, ela agora tinha seu copo cheio e bebia leves goles, sentia uma cerveja geladíssima e gostosa descendo pela garganta.

- Agora as "rampeiras" sentaram na mesa deles. Tá pronta a "armação"... essas aí são golpistas mesmo, uma faz o tipo "baixinha simpática" e a outra é a "grandona pensativa". Dupla perfeita de piranhas. - pensava o comerciante enquanto servia peixe frito para outro cliente.

O grupo conversava, em poucos minutos de conversa Patrícia e Priscila se ofereciam para Wilson e Gilson, eles pareciam ir mais devagar com as investidas das moças. As conversas estavam num bom ritmo, eles pareciam mesmo bem letrados na arte de seduzir, o que aumentava a curiosidade das moças que tinham menos de 30 anos. Wilson soltou seu cabelo e abaixou um pouco seus óculos revelando um olhar penetrante, por um breve momento Patrícia suspirou ao ele sussurrar maliciosamente em seu ouvido, então Priscila arranhava de leve o anel de Gilson e queixou-se do frio de sua pele.

- Eu esquento fácil, só depende da companhia. Acha que consegue deixar minha pele quente? - disse Gilson com um sorriso lindo e malicioso olhando o pescoço de Priscila.

- Consigo esquentar muito mais do que você imagina. É só você ter um carro e local, então te esquento todinho. O que me diz bonitão? - respondeu Priscila também com um sorriso malicento, então ajeitou seu cabelo para fazer charme e fechou seu sorriso olhando fundo nos olhos do homem.

- Sim, quero que você me esquente nessa noite, mas não é hora ainda. Vamos beber e comer mais. - disse Gilson brincando com um palito de dentes que acompanhava uma azeitona em um pratinho.

Sebastião concentrou novamente atenções para aquela mesa, um clima de paquera era facilmente notado, aquelas moças pediam mais cerveja, as conversas foram evoluindo, mais cervejas e mais petiscos e os homens apenas as deixavam comer e beber. Por alguma razão eles não pareciam comer e nem beber, mas as bebidas e petiscos eram consumidos pelas moças. Ao olhar para os olhos de Wilson pela queda do óculos sua espinha gelou, sentiu um calafrio e teve a leve impressão de ver um brilho avermelhado nos olhos do homem, mas ignorou, o trabalho cansa a mente e talvez fosse um efeito do sono. O balconista saiu do balcão e foi servir mais cervejas para as moças, ao servir as bebidas Gilson olhou para seu pescoço e deu um leve sorriso de lábios fechados, aquela atitude foi inconveniente, Sebastião olhou feio para a face do homem.

- Quem esse cara é para ficar manjando grossura de pescoço de homem? Já vi viados com tara por várias coisas, mas por pescoço é a primeira vez. Será que eles são adeptos daquele tão falado bissexualismo? Que coisa chata! Com tanta mulher no mundo o que os faz olhar para pescoços de homens? Quero que eles manjem a puta que os pariu! - pensava o comerciante que se zangou com aquele costume exótico dos novos clientes.

- Esses caras tem cultura, vestem-se bem, falaram cada coisa bonita pras vagabundas que elas ficaram cheias de vontade de transar com eles, isso tá estranho, essas "vagabas" geralmente gostam de babacas. Eles nem tocaram nas bebidas e petiscos, mas elas estão bem mais "bêbas" que eles. - o comerciante se indagava sobre os visitantes que bebiam com aquelas companhias femininas tão conhecidas.

Wilson levantou-se da mesa com Patrícia e colocou uma música, era "Bark at The Moon" do Black Sabbath, seguida de "Egypt" de Merciful Fate na vitrola, o mesmo encarou o balconista.

As moças parecem não ter gostado tanto das músicas, provavelmente queriam algum pagode, axé ou funk, mas eles gostaram das músicas e elas tentaram entrar no clima.

- Que babaca, ao levantar o nariz para mim. Igual a esse "machão" tem mais 40 cornos que vem chorar nesse balcão, deixa ele... - pensava o comerciante.

Sebastião mexia na caixa registradora e sentia uma energia estranha, um espécie de leve frio nas costas subindo pela nuca, somada a uma leve agonia. Algo batia dentro de sua mente, mas essa coisa seja lá o que fosse era travada por ele mesmo. Parecia que alguma mente tentava dominá-lo, mas ele resistiu ao comando que zunia dentro de sua cabeça. As músicas acabaram e várias cervejas vazias já encontravam-se fora da mesa para evitar que caíssem, as moças estavam ainda mais bêbadas e mais espalhafatosas que de costume, os homens riam educadamente e falavam com elas em tom médio. Wilson beijava Patrícia e Priscila acariciava o rosto de Gilson, ambos os casais se levantaram e já saíam do bar de mansinho.

- E a conta rapaziada, como é que vai ficar? O papaizinho aqui tem despezas e a farra de vocês foi boa. - Sebastião encarava os casais esperando seu dinheiro.

Wilson voltou ao balcão para falar o balconista. Ele abaixou os óculos escuros e deu um sorriso para Sebastião, enquanto isso o outro rapaz pequeno, branco, de cabelos loiros curtos, olhos azuis apelidado como Mini Kurt trabalhava passando um pano no balcão e ouvia tudo calado. Usava uma bermuda marrom escura surrada, camisa preta desbotada de banda de "heavy metal" e chinelos de dedo.

- Sebastião, meu amigo... a conta fica pela camaradagem. Pela camaradagem... - Wilson com um olhar avermelhado sorria para Sebastião com sua acompanhante abraçada a ele.

- Parece medo, mas é inédito pra mim. Eles não me parecem humanos, será que são vampiros? Seria fantasia demais para acreditar, mas parece que o grandão tentou me dominar. O safado queria me ludibriar, mas não deu certo! Vi isso nos filmes que meu filho assiste! - pensava Sebastião, um pouco aflito após aqueles olhares avermelhados e logo tomou consciência do ocorrido.

- Pela camaradagem? Porra nenhuma! - gritou o balconista.

O balconista pegou um bastão de madeira improvisado que guardava atrás do balcão, mesmo sendo um homem de meia idade deu um pulo por cima do balcão bem rápido. Quando tocou os pés no chão iniciou o ataque aos homens. Patrícia e Priscila espertas como boas vadias noturnas logo se afastaram de seus acompanhantes, então o golpe do bastão de Sebastião pegou em cheio no topo da cabeça de Wilson. Este ainda ficou em pé, mas um tanto atordoado, tentou levantar o braço esquerdo para defender o segundo golpe. O balconista enfurecido foi mais veloz e acertou em cheio a sua cabeça do caloteiro novamente, fazendo seus óculos voarem enquanto ele caía quase desmaiado ao chão.
Gilson avançou para tentar defender o amigo e disse que não pagaria nada, antes que falasse mais levou uma paulada na boca, após aparecer sangue em sua boca seus caninos superiores e inferiores estavam maiores e afiados como pequenas navalhas de marfim, levou mais uma paulada só que nas pernas e tombou estatelado ao chão com sua boca toda vermelha de sangue.
As carteiras de Wilson e Gilson foram apanhadas por Sebastião que pegou cerca de R$ 30,00 (trinta reais) de cada um e jogou suas carteiras de volta para eles, ainda tontos. Patrícia e Priscila estavam assustadas e ajudavam a dupla a se recompor, eles não reclamaram e ainda tontos levantaram-se, mas elas reclamavam com o comerciante pela violência usada contra os homens.

- Vadias, vocês podem ir pro inferno, esses caloteiros podem seus seus guias pra lá. Esses caras não são gente como a gente. Sei lá o que eles são, parecem ser vampiros, olhem pros dentes e pele deles. - indicava Sebastião apontando para as peles e bocas dos mesmos e elas não viram os dentes afiados e longos, de alguma forma elas não os viam.

- Eles não são humanos! Mas tem uma coisa para eu dizer a vocês todos antes que saiam daqui antes de pagar a conta. - enfurecido com o bastão sujo de sangue Sebastião chamou atenção, outros clientes estavam assustados com aquela cena de dois homens por volta de seus trinta e poucos anos derrubados por um senhor de meia idade.

- No meu bar não importa se você é homem, mulher, viado, sapatão, traveco, político, fantasma, anjo, demônio ou qualquer outra coisa. Não tem meio-termo: ou você paga a conta do meu bar ou você leva porrada! - quase aos berros Sebastião proferia sua lei e todos se calaram.

Nunca mais os vampiros daquela madrugada de agosto apareceram no bar de Seu Sebastião, agora todos os humanos e criaturas místicas da cidade só entrariam naquele boteco com dinheiro para pagar a conta, afinal, vampiro também paga a conta no bar!

Obs.: Essa é outra versão do conto "Vampiro Também Paga Conta no Bar", em uma narrativa diferente.

- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2010.

Foto: Cerveja fictícia Duff inspirada no desenho animado Os Simpsons (The Simpsons) criado por Matt Groening. Encontrada no Google Imagens na página Running Duck.De

segunda-feira, 29 de março de 2010

Guerra e Morte

 
Ele:
Correu pelas trincheiras,
furioso e indomável,
unindo amigos e inimigos
no campo de batalha.
Sorria em tons tão rubros
quanto sua armadura
atingindo as massas
com suas armas e ódio.

Ela:
Caminhava calma pelo solo
silenciosa ou barulhenta,
trabalhando entre os vivos
e levando os moribundos.
Neutra em ser seletiva,
sorria em tons tão cinzentos
quanto suas mortalhas,
escolhendo a quem beijar.

Ambos:
Com brutalidades: a Guerra.
Com mistérios: a Morte.
Entre afagos eles se deitaram
na massa de sangue e corpos,
fazendo uma alcova
para sempre se amarem
entre tantas missões.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2010.

Foto: "Crusade - Glorious Death of de Maille" por Gustave Doré.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Meu Habitat

Corri firme pelos campos nevados das montanhas, o céu era branco e pouco estrelado, árvores, pedras, rios e lagos... congelados, algo diferente havia em mim. Sentia energia pelo meu corpo, sentia-me mais instintivo, eu mudei e buscava minha egrégora. Notei cavernas escuras e geleiras imponentes, granizos caíam como estrelas pouco vívidas, na serenidade mortífera tudo era inóspito, o frio e ventos incomodavam-me menos. Minha aventura estava mais próxima do fim, abismos e cavernas agora eram meu território.

Vivi a edificante misantropia naquele lugar incrível, lá eu era livre de fardos da humanidade. Em meu lar distante eu podia ser eu mesmo, no alto da montanha observei o abismo e senti um poder interno crescente. Rosnei e urrei, logo senti-me maior e poderoso, pesado e peludo, meus trajes sumiram, transformei-me em um grande urso polar. Descansei em uma caverna escura, dormi entre meus parentes ursídeos. Hibernei até a próxima estação, esperando por dias melhores.

- Mensageiro Obscuro.
Dezembro/2008.

Foto: Urso polar na tundra. Encontrado no Google Imagens.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Meu Quarto e Meu Mundo

Meu quarto era minha estufa ideal,
a arrumação exibia o que eu esperava.
Pensei que controlava tudo
mas nada era de meu domínio
e em meu engano me satisfiz.

Busquei montar meu mundo lá
e descobri uma região morta.
Busquei novas dimensões,
aventuras e prazeres intensos,
alcancei a vida de hedonista.

Hoje, após o pôr do sol conheço
pensamentos e emoções ocultas,
comidas e bebidas, brilhos e cores,
paisagens e coisas tão fantásticas.
sinto-me mais humano que nunca...

Limitei-me a pensar que a vida
era somente meu quarto, que erro!
Saí daquele mausoléu e o mundo é meu,
ninguém removerá essa propriedade
de mim. Não mais... não mais.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2008.

Foto: Quarto azul encontrado no Google Imagens.
Portal: Fallen Oak Bed and Breakfast

segunda-feira, 15 de março de 2010

Fascinante Poetisa

Seus poemas me seduziram
jogando-me em outras dimensões
de maneiras tão profundas
onde não cabem as falas.

Cativa-me a cada conversa
pela sua mente sensível
como a fascinante poetisa
que desejo em dias e noites.

És fruta de aroma doce
que engana meus sentidos
em beijos e toques oníricos
capazes de erguer minha libido.

Nossos corpos separados
geram a dor saudosista
a qual terminará devagar
no calor de sua pele.

Voz e letras somam-se
aos nossos corpos,
expressando tantas coisas
somente entendidas por nós.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2010.

Foto: Clarice Lispector quando jovem.

quinta-feira, 11 de março de 2010

A Vida é Curta Para Fugir

Diante de sua presença,
pêlos arrepiam, a boca treme,
palavras não saem
e assumo o animal que sou,
tomo-a de surpresa
e arranco suas roupas,
Dominando seu corpo.
Quero seu prazer, sua entrega,
chame-me de bruto e tarado,
essa é minha forma de amar.

Continue fingindo frieza
enquanto seu jogo me excita.
Te apreciarei intensamente,
pois temos somente o agora,
Enquanto o amanhã pode ser o nunca,
lembre-se: a vida é curta para fugir.

- Mensageiro Obscuro.
Maio/2008.

Foto: "The Lady of Shallot" de John William Waterhouse, 1888.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fúria Selvagem

Meu ódio é extenso e implacável,
é uma fera faminta e voraz
que corre sobre tua sombra.
Não espere que eu tenha piedade
ao hesitar em lhe atacar.

Em minha mente tu sofres demais,
com meus olhos calculo tua distância,
com meu nariz sigo teu rastro,
pelos meus ouvidos busco teus sons
e com minha boca hei de lhe rasgar.

Minhas mãos estão armadas,
Enquanto as pernas lhe perseguem,
chore e esconda-se
cale-se e finja que sumiu
eu vou encontrá-lo.

Tua pele será separada da carne
em uma bruta tortura sem igual.
Acabou-se tua existência!
tu és caça, eu sou caçador
essa é minha fúria selvagem.

- Mensageiro Obscuro.
Novembro/2009.

Foto: "Dante and Virgil in Hell" de William Adolphe Bouguereau, 1850.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Vampiro Também Paga Conta no Bar (1ª versão)

Esse sonho aconteceu em novembro de 2007, meu pai havia sonhado algo estranho, ele é um cara bem simples, é comerciante e trabalha a noite administrando um bar em sociedade com meu tio, sendo assim no dia anterior tínhamos assistido um filme sobre vampiros, muito ruim por sinal, mas foi até bom ter assistido o filme. Caso o mesmo fosse muito intelectualizado meu pai dormiria, não conseguindo entender menos que o esperado. Pois bem, meu pai na tarde seguinte relatou-me um sonho com vampiros, fiquei curioso para saber. Então foi assim:

"Filho, ontem a gente viu um filme sobre vampiros daí adivinha... sonhei com uns caras estranhos no meu bar, já fiquei 'cabreiro', mas fiquei na minha." - disse meu pai.

"Conte mais, quero saber os detalhes." - eu aguardava a continuação.

"Sonhei que era madrugada, chegaram dois caras, um de estatura mediana e forte e outro mais alto e magro, os dois estavam usando roupas pretas fechadas, também tinham sobretudos e calças de couro, e a noite estava quente. Pensei que deviam ser roqueiros vindos de alguma casa de show de São Gonçalo ou talvez fosse o povo daqui, que volta do Rio de Janeiro quando tem shows por lá." - meu pai se concentrou em explicar detalhes, estava sério e eu curioso.

"Os caras pediram cerveja e sentaram quietos na mesa, ficaram quietos fingindo que estavam bebendo, mas não fiquei encarando, só achei estranho... pareciam esperar algo. Continuei lucrando com as bebidas e petiscos e parei de encarar os homens estranhos. Eles tinham peles muito brancas, o tipo de pele deles era esquisito, não parecia pele comum, lembrava uma borracha fina e clara, sei lá, devia ser maquiagem de artista, tipo Kiss e Secos e Molhados." - eu ri do comentário sobre as maquiagens, ainda mais por saber que meu pai não simpatiza muito com o Ney Matogrosso.

"Os caras ficaram olhando o pessoal no bar, os olhos deles eram esquisitos e eles tentavam esconder algo na boca, pareciam que tinha comido algo com gosto ruim. Não entendi nada e continuei a lavar os copos." - prosseguiu meu pai com a história.

"Aqueles caras esquisitos finalmente beberam a cerveja, um pouco quente naquele horário, depois umas vagabundas chegaram, tinham roupas bem indecentes, eram meio 'rampeiras', mas até que tinham bom corpo, não sabia se eram 'professoras da madrugada' ou 'piranhas'. Elas sentaram na mesa deles e começaram a conversar, quando fui botar mais cerveja para eles um dos caras olhou para o meu pescoço, não gostei daquilo.
Pensei: 'vai manjar grossura do pescoço de outro homem, porra!' Logo eles conversavam e bebiam com as mulheres, até aí tudo bem." - meu pai riu com o comentário e eu ri daquela cara séria falando bobagem.

"Filho, os caras tinham cultura, falaram cada coisa bonita pras vagabundas que elas ficaram cheias de vontade de sair com eles, mas já tinham bebido bastante, estavam um pouco bêbados, mas elas estavam bem mais 'bebas' que eles. Eles eram estranhos, eu senti que eles eram vampiros, no sonho senti uma energia estranha, um mal-estar e uma certa agonia, parecia medo, mas era inédito pra mim. Não me senti bem quando o mais forte me encarou, senti que ele queria me ludibriar. Ele não conseguiu me dominar. Ele devia ter algum poder mental de vampiro, vi isso nos filmes." - meu pai ficou mais sério e eu fiquei aguardando o resultado da história do sonho.

"O outro vampiro mais magro tinha olhos castanhos, eles tinham um estranho brilho avermelhado enquanto ele andava, estava abraçado a uma das moças da mesa. Levantou com ela e foi até a máquina de música, botou um rock do Black Sabbath e ficou dançando, mas a moça parecia não gostar de rock e pediu funk.
Ele disse que conhecia um tal de 'fuck' e riu, não entendi a piada. O outro vampiro riu com da cara da moça, mas ela não percebeu que ela era a piada." - ele conteve um riso ao relatar a cena.

"O outro mais forte começou a beijar a moça na minha frente há poucos metros da máquina, depois ficou me encarando como se quisesse se mostrar o machão que agarra a mulherada. Que cara babaca. Igual a ele tem mais de 40 cornos no meu bar toda a semana." - ele riu ao contar sobre o vampiro.

"Depois cada um estava com uma das mulheres e foram sair do bar, foram sair de fininho para não pagar a conta. Eram 10 cervejas e um pratinho de azeitonas pretas, coisa barata, acho que não chegava a 30 reais de conta." - ele ficou mais sério.

"Não suportei a cara que os dois fizeram ao olhar para mim, mostraram uma boca cheia de dentes com caninos grandes e afiados e senti um calafrio, fiquei levemente zonzo e disseram para mim que eu esquecesse a conta. Que era melhor deixar tudo pela boa amizade pois a vida é curta." - meu pai ficou mais sério e agora um pouco irritado, pois odeia caloteiros.

"Filho, quando o vampiro mais forte disse isso e o mais magro riu e repetiu: 'pela camaradagem meu caro dono de bar, pela camaradagem(...)'. Fiquei puto, peguei um taco de 'basebol' que ficava atrás do balcão e pulei o balcão para bater nos dois. Bati muito no mais forte e o mais fraco tentou me desarmar, mas tomou um 'coice' no saco e ficou com a voz fininha. Sabe... Vampiro também tem saco e deve doer como na gente. - ele estava com uma mistura de raiva e entusiasmo pela narrativa da luta.

"O vampiro mais forte ficou todo machucado sangrando caído no chão, o segundo fez umas unhas longas e veio pra cima de mim para me arranhar, mas como não gosto desses travestis 'unhudos' da madrugada dei uma porrada certeira no meio da cara do puto. Foi que nem uma sinuca: ele veio com a cara como se fosse uma bola tentando avançar em mim com as garras pra frente, dei uma tacada reta no meio da cara do miserável, ele caiu." - ríamos com a história, nem os poderes vampíricos detiveram a cobrança de um dono de bar.

"O mais forte tentava se levantar quando disse que eu deveria estar dominado por eles, mas falei que homem nenhum domina o papaizinho aqui. O cara tava com a testa e a boca sangrando, foram duas pauladas bem dadas, estava tonto mas já era para estar desmaiado como o outro. Fiquei parado esperando eles levantarem, quando levantaram peguei os dois pelas golas do sobretudo e chutei os caras, primeiro o menor, depois o grandão. As mulheres ficaram assustadas com aquilo e começaram a querer defender os babacas." - eu ria com aquela descrição, devia ser uma cena engraçada, meu pai batendo sozinho em dois vampiros com um taco de 'basebol'.

"Mandei as vadias pro inferno. Disse que ninguém sai do meu bar sem pagar. Então se elas querem homens para bancar putaria seria bom que procurassem os que pagam as contas em dia, pois caloteiro é raça safada. Os caras já estavam de saída, então voltei até eles e peguei as carteiras deles." - ríamos com a história e as caretas do meu pai imitando os vampiros e vadias.

"Aqueles vagabundos e putas foram expulsos por mim, peguei a carteira dos esquistiões quando ficaram caídos na calçada. Eu disse a eles: 'vocês vão embora, a grana fica no caixa. Joguei as carteiras sem dinheiro em cima deles, eles começaram a se levantar para ir embora. A perturbação acabou." - meu pai acabou de relatar mais uma coisa importante para quem é dono de bar na noite.

"Então pai, como acabou seu sonho?" - eu estava ansioso, sentia que vinha mais uma "pérola" típica dele.

"Antes deles irem embora eu gritei firme: 'no meu bar não importa se você é homem, mulher, viado, sapatão, traveco, fantasma, anjo, demônio ou qualquer outra coisa. Você paga a conta ou apanha. Vampiro também paga conta no bar!" - assim meu pai encerrou sua narrativa onírica.

- Mensageiro Obscuro.
Março/2008.

Foto: Bento Carneiro, personagem vampiro brasileiro criado pelo ator Chico Anysio.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Saqueador de Almas

Ele dormia envolto em nobres vestes com ricas jóias, um vampiro faminto, saqueador de almas corruptas, suas habilidades e poderes são tão intensos quanto sua fome e possuía um desejo pervertido e insaciável por vidas. O Poder corria por suas veias consumindo sua sanidade, sua energia exalava terror pelas noites nebulosas de caça. O usurpador saía faminto de seu túmulo à noite, sua luxúria era saciada em caçadas por carne e sangue.

Há muitos séculos perdera seus traços de humanidade, seu Ka fora amaldiçoado, não chegaria ao Amenti, ganhou uma existência amaldiçoada pelos deuses. Agora o Egito adquiriu um novo monstro sanguinolento. Passou suas garras e presas nos corpos de suas vítimas, dilacerou carnes e ossos por fome e prazer, corpos em espasmos foram consumidos pela fera, gritos e violência contagiavam ambientes invadidos.

Sobraram paredes e um assoalho manchado após sua visita. Correu para banhar-se, ainda com mãos e lábios vermelhos. Gargalhou de si mesmo vendo seu reflexo turvo, olhou seu próprio rosto pálido e brilhoso no espelho. Na banheira cochilou como se fosse seu valioso sepulcro. Sua ira e gula fizeram-no chorar parcas lágrimas inconsistentes. Sua noite estava acabando, tinha de fugir do sol, Vestiu outras roupas e retornou voando como névoa.

Sangue corrupto era o seu alvo, o Néctar do Justiceiro, era o Saqueador de Almas, um semideus sugador de sangue. Seus leais servos enalteciam de seu egocentrismo divino, somente espíritos nobres salvavam-se de sua fome agressiva. Novas noites sangrentas ainda alimentariam o insano usurpador infeliz.

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2007.

-- Glossário --

Amenti = Habitação dos mortos, a segunda etapa da Viagem. Morada de Osíris onde são julgados os mortos.

Ka = Estranha dualidade do morto: Alma e Guardião, Corpo Vital e Gênio Protetor.

Néctar = Alimento dos deuses. Dava imortalidade aos que o comiam e tornava-os eternamente jovens e radiosos.

Segunda Morte = Para os egípcios a morte material pouco importava, para eles era bem pior ser um espírito perverso a receber altas punições na sua pós-vida no Além, então a Segunda Morte sem dúvida era a pior punição acima de maldições divinas.

Foto: Boris Karloff como Imhotep no filme "A Múmia", 1932.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Arte, A Expressão Humana

A arte acompanha a humanidade desde o início das primeiras civilizações primitivas, somos seres sociais e gregários, devido a isso podemos notar como a expressão humana se mostra por várias maneiras, seja essa verbal, escrita, desenhada, gestual, corporal, simbólica e também artística. Não vivemos sem formas de comunicação, por isso é lógico que nossos ancestrais ainda construíam o básico de nosso patrimônio, por isso desenhavam, rabiscavam e esculpiam, então surgiu a arte rupestre.

As sociedades humanas cresceram, nômades tornaram-se agricultores, criaram-se deuses e religiões,surgiram as moedas, o comércio, as profissões, os impérios, linguagens aprimoraram-se, a população humana expandiu-se e impérios se ergueram. Líderes, gênios e conquistadores surgiram, verdades e lendas se mesclam a nossa cultura e somente a razão e lógica filtra possíveis verdades. Foram inventadas a literatura, dança, escultura, desenho e outras formas de artes, nossas expressões seguem o mesmo caminho da evolução das civilizações: com seu processo finito e expositor da realidade e fantasia de seu tempo, assim surgem novas artes, estilos, técnicas, utensílios e demais fatores.

Através dos séculos nós humanos firmamos nossa "imortalidade" (simbólica) pela memória de nossas obras para a humanidade, esta possui  personalidades marcantes nos campos das artes, filosofia, ciências e assim por diante, alguns exemplos são: Leonardo Da Vinci, Augusto dos Anjos, Renoir, Einstein, Gustave Doré, Nietzsche, Voltaire, Florence Nightingale, Lavosier, Santos Dumont, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe, Alexandre O Grande, Monteiro Lobato, Vlad Teppes e muitos outros. A arte é uma das mais intensas expressões humanas e ao registrar e propagar nossas mentalidades seremos imortais.

- Mensageiro Obscuro.
Maio/2008.

Foto: "Aristóteles e Platão" por Raphael Santi.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Conceitos e Preconceitos

Em nossa sociedade notamos diversos conceitos para definir diferentes temáticas do cotidiano. Os preconceitos são um terrível problema para a harmonia social, por meio de conceitos pré-modelados e discriminação é possível prejudicar várias pessoas, introduzindo nelas estigmas sociais que são um grande fator excludente.
Atualmente, da mesma forma, como em tempos passados temos conceitos que definem o certo e o errado, às vezes de forma maniqueísta moldamos extremismos para citar algo, temos por exemplo: amizade; paixão; amores; promiscuidade; elegância e assim por diante. Essas definições estipuladas e introjetadas no senso comum geram uma aversão ao novo e ao exótico, por sua vez lançam os preconceitos à tona, como tiros enlouquecidos de um franco atirador impiedoso que não escolhe alvos.

As sociedades mostram conceitos muito diversificados com relação a muitos assuntos, uma região qualquer pode conter grupos sociais liberais ou mais conservadores, ainda existem fatores que conservam as tradições e dogmas para manter as raízes de seus povos. Vários povos são oprimidos por regimes culturais fechados podendo ser sujeitos a punições se tiverem um comportamento diferente de suas tradições, dois grandes causadores desse efeito opressor são o fanatismo religioso e a cultura de massa que acabam manipulando e regendo padrões aos cidadãos tornando suas vidas uma verdadeira ditadura neural.

Perante diversos fatos e problemáticas é possível notar que o ecumenismo torna-se algo muito oscilatório tendo casos em que a aceitação dos grupos é restrita quanto a tipos aceitáveis e inaceitáveis, podendo ter regidas regras morais de níveis de aceitabilidade social, diante de uma total ignorância e um desconsiderável esforço ao tentar entender e aceitar as diferenças alheias, a sociedade mundial tem níveis de abertura, mesmo assim a receptibilidade continua inconstante e fraca, isso tudo é graças a uma grande mal interno mútuo que abrange todos nós: o preconceito.
Um dos piores sentimentos já sentidos pela humanidade que em sua tão brilhante ascendência não conseguiu destruir essa ação emotiva irracional e instintiva, consistente em temer e excluir as partes diferentes, essa temeridade é extremamente nociva e esse medo torna-nos seres socialmente pútridos e aceitamos nossos defeitos internos e não nos damos ao luxo de dar a mesma chance ao próximo.

- Mensageiro Obscuro.
2004.

Foto: Patinho amarelo sofrendo exclusão social dos patinhos pretos. Encontrada no Google Imagens. Sem referências encontradas.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

As Ovelhas Tolas

Um pastor muito inteligente queria engordar suas tolas ovelhas com uma ração sem sabor, mas ele sabia que elas perceberiam a falta do sabor e ignorariam a alimentação, por isso passou a mentir como induzi-las a comer mais e mais. Ele mentiu dizendo-as que a refeição seria saborosa, mas que teriam que renunciar vários prazeres para que se nutrissem dela, as ovelhas relutaram um pouco mais foram enganadas, seu fator psicológico ignorante e estagnado as condenou a sentir sabores incríveis em refeições insípidas, eis o milagre da fé das ovelhas e da astúcia maléfica do pastor, que vivia triste e queria espalhar sua infelicidade para outros seres, por isso as privou de viverem os prazeres da vida julgando-os como maus, assim teria companheiros na desgraça.
Vendo que as ovelhas eram tolas o pastor criou novas mentiras e as mentiras se intensificavam, as tolas ovelhas começam a acreditar que exista sabor na ração. Outras ovelhas, negras e cinzas alertavam as ovelhas brancas fanáticas, mas as ovelhas brancas eram ainda mais tolas e não cediam ao conhecimento da verdade sobre seu pastor, ao qual seguiam suas ordens cegamente, logo a ração não as alimentava com tanto vigor e seu trabalho aumentou escravagisticamente, o pastor cobrava novos desafios e isso doía nas ovelhas, mesmo assim elas pagavam suas promessas e o pastor felicitava-se com a tolice de seu rebanho.

As ovelhas brancas já estavam fracas, cegas, surdas, ignorantes, estagnadas e mesmo alertadas sobre as mentiras ditas pelo pastor, elas ainda se auto enganavam e o sustentavam com seu trabalho e seu culto, elas o amavam e seguiam seus dogmas malditos. Uma ovelha cinza foi chamada de herege e disse que o pastor vivia da desgraça da vida das ovelhas, impedindo que elas evoluíssem, mas a inconsciência gerada pela fé tola ensurdeceu as ovelhas brancas, evitando que pudessem saber a verdade, novamente elas estavam debilitadas.
Umas poucas ovelhas já desnutridas olharam para si e amadureceram, a maioria teve sua pelugem escurecida e viraram ovelhas pretas, tornaram-se rebeldes, sem atitude de protesto e boicote, um pouco indisciplinadas, estagnadas em seus conhecimentos e errantes quanto a sua luta, elas tendenciavam a ter uma vida pacata e bem sociável com suas semelhantes. Elas seguiram um caminho torpe e reto dentro de sua função incompreendida, mas eram bem aceitas pelas brancas, guardando seu rancor pelo pastor para si mesmas para evitar brigas.
Um número ainda menor virou um grupo seleto de ovelhas cinzas, amantes do conhecimento e da evolução, dualistas por natureza elas eram contestadoras, individualistas e heréticas ao ponto de não terem nenhum contato com seu pastor, evitando outras ovelhas, com isso tornaram-se um grupo temido mesmo sendo pequeno, a obscuridade tomava conta delas, grandes estudiosas de coisas desconhecidas e incompreendidas. Apenas o ódio e o desejo de boicote e protesto, viveram às sombras observando a queda das suas irmãs brancas sem sentir pena delas.

O pastor criou novas mentiras e desde então não parou, mas sempre teme o surgimento de ovelhas pretas e cinzas, pois elas são independentes e expansíveis, por isso ele teme que seu império caia e que as irmãs de suas tolas seguidoras venham derrubar seu rebanho impiedosamente exatamente como ele fez contra as minorias que ele jurou respeitar em seu pergaminho.
E você, que tipo de ovelha é?

- Mensageiro Obscuro.
2004.

Foto: Filhotes de ovelha branca e preta. Encontrados no Google Imagens. Sem referência.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A Mídia Dominadora

A mídia combina meios de comunicação para introjetar a cultura de massa a fim de manipular e padronizar a mente dos cidadãos para que adotem modismos comportamentais, preferenciais, vestuais e demais limitações. Os influenciados pela cultura de massa firmam preconceitos, possuem cultura limitada e não desenvolvem sensos crítico, analítico e reflexivo, além disso são desprovidos de opinião individual. A alienação cria a dependência de conceitos pré-modelados para todos os assuntos, criando uma relação de dependência opinativa, com isso os alienados servem como marionetes para os grandes mercados capitalistas que visam o lucro e ocultamento de informações.

Algumas possíveis soluções para alcançar um nível cultural mais refinado e abrangente, são: ler bons livros, revistas e jornais que estimulem as capacidades reflexivas e cognitivas do indivíduo, divertir-se com jogos que estimulem o raciocínio, percepção e interação sociocultural; e buscar contatos sociais intelectualmente expansíveis. Desta forma, através de uma busca mais intensa por uma capacitação cultural melhor, é possível que nos tornemos mais evoluídos a cada época, sem abrir mão de nossa personalidade, podendo até desenvolver estilos individuais e novos ideais sobre o mundo ao nosso redor, assim, longe da cultura de massa não nos fechamos para a realidade que nos rodeia.

- Mensageiro Obscuro.
Abril/2005.

Foto:  Imagem sem referências encontrada no Google Imagens.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Seios em Oferta

Peguei-a firme pela cintura,
namoramos intensamente,
sentada em meu colo
teu sorriso provocara
enorme luxúria.

Mãos corriam,
dedos em carícias,
peles em atrito,
o tempo parou
Ao seu cavalgar lascivo.

Entre sedas e licores
por afetos secretos
instintos mandavam
minha língua faminta
devorar tua pele.

Na valsa sensual
um jogo libidinoso...
teus seios em oferta
revelaram uma boca
com uma só fome.

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2008.

Foto: Aria Giovanni (atriz pornô/modelo). Foto encontrada em buscas no Google Imagens.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A Sociedade e o Sistema, Uma Análise Pessimista

Nossa sociedade visa muito padrões, o Sistema quer mentes atrofiadas, quanto menos instrução e amplitude intelectual melhor será para que as elites dominantes organizem o povo como gado manipulável para realizar seus objetivos escravocratas disfarçados de democracia, vivemos uma utopia onde temos possibilidades de seguir um "Kit Felicidade".Temos uma realidade quase que única imposta pelos meios de comunicação em massa, mensagens subliminares, padronização e policiamento sociais, senso comum e outras armas para manter a sociedade controlada e estagnada, tal processo causa uma eficiente maneira de enganar as percepções do povo para a terrível realidade onde não temos segurança, estabilidade financeira, saúde, transporte, educação formal, educação ecológica, instrução acadêmica, afeto e outras coisas essenciais para nossa espécie, então estamos fadados a viver em um mundo onde viver é sobreviver.

Nosso poder de mudança é enorme, mas a desorganização e falta de caráter da maioria torna quase impossível revolucionar a sociedade já que mesmo que isso acontecesse o mal já reside em nossa cultura, logo seria trocar um inimigo por um vilão ainda pior, então resta-nos moldar nossa realidade com alguns recursos materiais e espirituais variados tentando tornar a vida mais bela e agradável, mas sem fechar-se para a realidade, que ainda nos aliena muito.

O Sistema se divide em quatro componentes principais a explorar:
Primeira parte: senso comum: um conjunto de conhecimentos simplórios que determina padrões maniqueístas e intolerantes perante divergências ideológicas. É comporto por cultura popular e massiva, na qual o conhecimento simplório se amplia e fica famoso determinando os rumos básicos do pensamento coletivo. Segunda parte: cultura de massa: é uma cultura aplicada pelas elites visando estabelecer comportamentos e uma identidade manipulável e tola ao povo, assim a população absorve conhecimentos torpes e consuma seus produtos de baixo nível que os tornarão patéticos e fracos de personalidade que não saberão os planos malignos das elites. Terceira parte: padronização social: um conjunto de regras que determina desejos e comportamentos sociais, fixa uma identidade padrão limitada aos cidadãos, tal coisa faz as pessoas terem objetivos, desejos, preferências e outras coisas iguais entre si. Quarta parte: policiamento social: é um proselitismo comportamental no qual os alienados pelo senso comum, cultura de massa e padronização social mobiliza a "normalização" de todo humano excêntrico e exótico que aparecer e que contestar a ordem social limitada e limitável do Sistema.

Acompanhando a análise sobre as influências do Sistema podemos definir a invenção do "Kit Felicidade" que é uma soma de regras sociais, desejos coletivos, consumismo, pensamentos padronizados e outros elementos nos quais uma elite dominante define vários parâmetros de nossas vidas tornando-nos limitados, nesse caso escolhem que vestuário devemos usar, o que devemos comer e beber, como devemos pensar e sentir, o que desejamos comprar, quem desejamos por perto ou longe, como devemos nos comportar e todas as possibilidades são construídas socialmente para uma manipulação e alienação maior do povo. Esse é o "Kit Felicidade", definem como você deve buscar a felicidade sendo esse um caminho no qual as opções são limitadas ao que é permitido de uma escala comandada pelas elites dominantes, pois mantendo o povo aparentemente feliz fica mais fácil dominá-lo. Cabe a cada pessoa decidir o que lhe torna feliz, mas ter um sistema que demonstre que só há um meio de se feliz é um abuso para com a individualidade alheia.

Pensando na individualidade alheia é que se calcula o quanto as elites temem a excentricidade, pois ela distancia as pessoas de uma alienação e manipulação, certamente o conhecimento é uma arma e chave para a libertação de mentes que evoluem através dos estudos, partindo dessa premissa nota-se que mentes livres são perigosas pois podem analisar e criticar o Sistema, mas a perfeição utópica é um dos alicerces que sustenta essa mentalidade coletiva, então por mera xenofobia exclui-se o excêntrico tentando obrigá-lo a aceitar o "Kit Felicidade" para que seja considerado "normal", nesse caso tentam cortar as peculiaridades que o tornam estranho na sociedade, isso garante menos um obstáculo na vida de muita gente, pois a figura do estranho, forasteiro, esquisito, questionador e contestador são figuras socialmente importantes, mas pouco aceitas, ainda mais em vida, postumamente gênios são reconhecidos, mas em vida passam por problemas como a exclusão, complexos de superioridade ou inferioridade, comportamentos solitários que podem gerar carências e outros fatores. A verdade é que gente normal pouco produz, mais fácil para elas é copiar o que já foi criado ou simplesmente julgar os excêntricos criadores de patrimônio para a humanidade.

- Mensageiro Obscuro.
Dezembro/2007.

Foto: Imagem com título e autor desconhecidos, foi encontrada no Google Imagens.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Cadeia Alimentar


Teu corpo treme e transpira em calafrios, teu sangue está temperado para o banquete, eles estão às tuas costas seguindo teu aroma. Corra, pule os muros, arme-se e esconda-se, não deixe que eles lhe peguem, corra! Na noite a sede aplaca os famintos, tu és a presa, eles os caçadores, não deixes tua vida escapar do corpo, fujas enquanto pode, combata teu inimigo, o terror e mistério lhe caçam.

São bestas de sede insaciável. Malditos! É a gula implacável de imortais noturnos. Corra dos sanguessugas que lhe farejam, pois vidas humanas são teus alimentos. É a existência frágil contra a existência trágica, a sentença mortal contra a sentença eterna. Humanos e vampiros: duelo de dois monstros, resolução de apenas mais um ciclo nutricional. Eis a cadeia alimentar: mais um vivo saciou um vampiro.

- Mensageiro Obscuro.
Fevereiro/2007.

Foto: "Conde Stradh" (personagem da saga de livros de RPG Ravenloft) por Clyde Caldwell.
Página do artista: Clyde Caldwell

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Seu Doce Desespero

Vejo você rumar à vitória e o ódio me consome, vivo tristes pesadelos com teu triunfo. Maldita seja! Usurpadora, diabólico ser mascarado, logo sua máscara cairá e suas lágrimas de tristeza e derrota são o mel de minha alegria, o vinho de minha vitória. Teu doce desespero é o sangue quente de minhas veias. Tenho um prazer orgástico quando rasteja pelas estrada, assim, escancaro meu ódio a ti e espero que sofra mais. Quero que cada um de seus erros sejam um fel em sua língua e que teu sangue sujo derrame, mas não a deixe morrer.

Caminhe por espinhos e rasgue sua carne, continue viva, desejo o néctar mais puro de seu sangue ao chão. Desejo-te a imortalidade para arrepender-se e quando arrependida ainda sofra um pouco, alimente minha libido exótica com sua tragédia. Seu doce desespero será consumido bem lentamente, quando a sentença existencial se mostrar como o sofrimento puro e vagaroso.

O sadismo é minha refeição mais elaborada e saborosa. Iguaria que comerei devagar para que seja durável, especiaria minha que me enjoarei e darei ao descanso mortuário. Seu sofrimento será a pintura que emoldurarei em minha melhor parede, eis o teu doce desespero.

- Mensageiro Obscuro.
2004.

Foto: Imagem de fonte desconhecida encontrada no Google Imagens.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Bela Dama Exótica

Minha bela dama exótica,
que prazer tê-la ao meu lado,
suas cartas exaltaram meu peito.
tuas mensagens intensas
sustentaram sonhos saborosos.
Agora não estou tão sozinho,
sua voz infantil esconde uma mulher
que descobri em grandes momentos.

Com linguagem mansa,
suas palavras extasiam,
como se nunca amasse
nessa vida breve.

Sou detetive desvendando
mistérios de suas curvas
e descubro suas facetas
enquanto as horas passam.

Penso em nossa inconstância,
busco-a entre tantos rostos.
liberemos nossos instintos
para viver o indefinido.

- Mensageiro Obscuro.
Abril/2005.

Foto: "Dance" por Alphonse Mucha, 1898.

sábado, 7 de novembro de 2009

Amor Onírico

Sonhamos acordados
e temos saudades
do que ainda não vivemos.
Encontro você em sonhos,
lá somos amor e desejo.

Não quero acordar
desses doces momentos
que alimentam nossa vontade.
Paro sentado e suspiro fundo
ao pensar em você.

Amo-te intensamente,
em fantasias só nossas
para saborear prazeres etéreos
em nosso amor onírico.

- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2008.

Foto: "Kissing" por Alex Grey, 1983.
Portal do artista: www.alexgrey.com

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Death Note - O Caderno da Morte

Há tempos a humanidade precisa ser reformulada, sonhos e pesadelos se mesclam em minha mente, com o peso dramático de uma realidade decadente. Só desejo um mundo melhor, sou divino, sou a lei da vida e da morte. Atingirei o ápice pisando sobre cadáveres, quem atrapalhar meus planos pagará caro, escreverei mais nomes no Caderno da Morte, saboreio o doce fim do lixo social. Fracotes! Não fujam, pois os encontrarei.

Enganei e despistei até a polícia para matar mais, livrei a humanidade de parte de sua escória, após tanto trabalho ainda querem me controlar? A prisão perpétua ou pena de morte não mudam nada, tenho um "Death Note" para destruir quem eu escolher. Humanos agora são marionetes, pois sou um deus!

Lembrem-se: Shinigamis só comem maçãs! Sou Kira! Ditarei como e quando muitos morrerão. Pela caneta destruo mais vidas que qualquer arma, com malícia nos lábios aguardo o início de meu império. Não sou um monstro, sou apenas um deus incompreendido.

- Mensageiro Obscuro.
Janeiro/2008.

N.A.: Texto em homenagem ao anime, mangá, filme e outras produções da série otaku Death Note escrita por Tsugumi Ohba e ilustrada Takeshi Obata.

-- Glossário --

Death Note = É o nome do anime, mangá e filme de longa metragem que conta a história do Caderno da Morte, este é um artefato místico fictício em forma de caderno, consiste em matar quem tiver seu nome escrito nele. Com o caderno ganha-se um shinigami e certas regras sobre a realidade envolta pelo caderno. Durante a obra diversos detalhes apresentam um enredo denso e interessante que prende a atenção do espectador e leitor.

Kira = É um pseudônimo usado pelo protagonista de Death Note, tem relação com a fonética japonesa da palavra inglesa "killer" (assassino em português).

Shinigami = Um tipo de divindade japonesa responsável pela morte. Shinigamis são deuses da morte japoneses.

Foto: Imagem anônima extraída do Google Imagens.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Estou de Saída

Sei que sou denso, talvez pesado demais para ti, talvez um fardo sofrível, então vamos nos distanciar... você fica no seu canto e eu no meu. Pela boa vizinhança, vamos ficar afastados, faremos de conta que não existimos um para o outro por uns tempos, pode ser divertido e importante, estou disposto a seguir com essa idéia. Fique em sua casa e eu vou para um abismo ou montanha, tanto faz, estarei em meu território por dias ou semanas, mas lá estarei em sintonia com coisas tão minhas. Você reclama que ando calado com olhar perdido, ouvidos desviados e com o nariz para baixo, todo pensativo e sensível ao que desconhece. Não é dor, não é desamor, nem fofoca e nem outras tolices que você costuma pensar. Não quero desabafar e nem chorar, é sério! A verdade é que o que penso e sinto não é expressível a ponto de ser captado por sentidos comuns, o que se passa por dentro de minha pessoa só eu sei. Não adianta pedir que eu me explique, que me abra para ti, para que depois crie ou reforce dúvidas em sua mente. Não adianta eu dizer o que não é possível de entender.

Minha voz e letras não dizem nada que te levem a algum lugar, pois meu abismo é fechado e só meu, lá é meu território onde mistérios e segredos habitam solitários. Essa é minha profundidade e não posso te prender, portanto não se prenda a minha pessoa. Sou como o pássaro do livro "A Menina e o Pássaro Encantado" do Rubem Alves: para que eu seja feliz tenho que ser livre para ir onde quero, sem amarras, mudando minha forma de acordo com as tantas nuances de minhas experiências. Desista de tentar desvendar um enigma tão complexo, isso só vai te tirar tempo. Umas coisas são mistérios, outras são segredos, mas todas são incompreendidas. Não quero falar, não tenho palavras belas. O que tenho é tédio do tipo para exportação, pode ser atacado ou varejo? Escolha logo sua leva, pois a concorrência é ferrenha.

Estou de saída ou em fuga, já peguei o que preciso, então não me procure e não vou te procurar, um dia nos encontraremos, sem pressa e sem pressão. Respeite minha individualidade e privacidade ou essa será nossa última conversa. Não quero falar com a voz embargada, não quero derramar lágrimas aprisionantes e nem quero sentir o terror da perda, é melhor viver desgarrado, mas não sem antes levar um abraço apertado. Sou livre e não vou mudar, essa é minha condição, não tente me parar. Não sou doméstico e nem dependente, então esqueça os grilhões ou amarre-se neles. Eu vou embora. Irei me aventurar e trarei façanhas e cicatrizes lindas. Enquanto eu não voltar estaremos juntos pela mente, então digo a você: até mais.

- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2009.

Foto: Montanhas geladas. Encontrado no Google Imagens. Sem referências encontradas.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Não Vivo Sem Ti

O imenso amor que sinto
é por ti, minha pequenina.
Intensamente desejo-a
jovial, corajosa e firme.
Muitos mentem e até matam
somente para te possuir.
Linda, versátil, sedutora
poderosa e trabalhosa.
Vestida de cores e números
ou apenas dura e brilhante.
És exuberante e imponente,
para sempre amada e odiada.

Confesso decidido:
Não vivo sem ti!
Dama que quando gorda
é ainda mais apetitosa.
Te quero em minhas mãos!
Amo-te livre ao dividi-la
até lhe empresto
para quem precisar de ti.

Torço para que volte maior,
pois estudo e trabalho
para te conquistar.
Sem sua presença nada sou,
apenas miserável sem lar,
tu és minha doce Fortuna!

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2009.

Foto: Dinheiro. Imagem obtida pelo Google Imagens. Sem referências encontradas.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Vivente na Interseção

Sou filho de Anúbis e discípulo da Jehuty, vivo em missões no mundo dos mortos e vivos. Andei por oito direções em estudos e guerras, descobrindo outras realidades. Não tenho todas as perguntas e respostas, mas Ba e Ka montaram meu precioso Akh. Em mundos tão estranhos e complexos sintonizei raras essências capazes de me lançar em realidades alternativas. Sou um buscador, vivente na interseção de onde obtenho experiências astrais.

Sou um livre espectro, sem raízes e crias, descobridor de filosofias e ciências. Tenho o semblante do poder da vida e morte, sou um miscigenado trilhando caminhos. No Duat e Abismo pesquisei os poderes escritos dentro de energias universais. Não sou servo ou escravo dos neteru, sou apenas um aliado de alguns.

- Mensageiro Obscuro.
Outubro/2007.

-- Glossário --

Abismo = Submundo dos mortos onde os espíritos guerreiam por sua sobrevivência, evitando a segunda morte. Quem sobrevive nessas terras torna-se uma divindade local.

Akh = Termo usado para referir-se a alma imortal conseguida no pós-vida. Resultado da fusão de Ba e Ka que cria o espírito transfigurado que será julgado pelos 42 juízes na Sala das Duas Verdades. Era a força divina, a alma imortal.

Anúbis = Neter egípcio do submundo dos mortos, mumificação, auxiliador no julgamento, representante da imparcialidade e racionalidade. É representado como um homem com cabeça de chacal ou cachorro preto. Seu culto era realizado na cidade de Cynopolis e possui templos-cemitério para o treinamento de seus discípulos e cultistas.

Ba = Correspondia ao espírito, era a parte mental do humano.

Duat = Morada dos deuses egípcios, local místico poderoso onde os deuses passam a maior parte de seu tempo, onde vivem entre seres de grandes potencialidades.

Jehuty = Neter egípcio do conhecimento, intelectualidade, magia, mistério, ocultismo e Lua. É representado como um homem com cabeça de íbis ou macaco babuíno. Seu culto era realizado na cidade de Hermópolis, onde discípulos e cultistas treinavam seus conhecimentos em templos-biblioteca. É chamado pelos gregos pelo nome de Thoth.

Ka = Estranha dualidade do morto: alma com guardião e corpo vital com gênio protetor.

Neter = Neter é uma palavra em egípcio sem tradução exata. A antiga religião egípcia, diferente do que muitos pensam, cultuava um único deus. Sendo este supremo, eterno, imortal, onisciente, onipresente e onipotente. Mas este deus aparece de várias formas e aspectos, os neteru (plural de "neter" no masculino e "netert" no feminino). Os neteru egípcios não eram pessoas imortais para serem adoradas, mas sim ideais e qualidades para serem honradas e praticadas possuindo aspectos personológicos variados que juntos eram cultuados. Os arqueólogos e egiptólogos que estudaram sobre a antiga religião egípcia, traduziram neteru como deuses e deusas, dando totalmente a informação errônea de que tais seres são forças independentes.

Foto: "Bridge of Dreams" por Freydoon Rassouli.
Portal do artista: Rassouli

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Sonhos Entre Escombros

Ainda divirto-me entre os escombros, ruínas de nossa civilização. Construímos nossas próprias covas quando abusamos do mundo. Sofro com nossa incompetência em fazer um mundo melhor. Dizem que sou pessimista... mas a realidade é mesmo péssima. Ainda temos conhecimentos e prazeres, mesmo assim não basta isso para melhorar. Para muitos sou louco por perceber que o mundo tornou-se lixo.

Vivemos um drama, uma tragédia, ainda sobra energia para mudar. O humanismo é uma grande solução, assim como a sofrida ecologia. Entre escombros sonho com um mundo melhor, agora podem rir de mim.

- Mensageiro Obscuro.
Junho/2008.

Foto: Escombros da II Guerra Mundial.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Meu Passeio Com a Milla Jovovich


Na semana passada assisti o filme Ultravioleta com a Milla Jovovich, ela estava linda como era de se esperar, daí depois ao dormir sonhei que eu saía do hospital estadual onde faço estágio na emergência com acadêmico de Enfermagem. Daí veio um Porshe prateado muito bonito que sem dúvidas valia uma nota preta, quando me aproximei do carro para contemplá-lo o vidro fumê abaixou e quem estava lá dirigindo solitária? Ela mesma: Milla Jovovich!

- Cara... isso é mentira! Essa mulher não vai me dar mole...- pensei logo.

Milla abaixou o teto do carro, pois o Porshe era conversível e me perguntou se eu estava livre do estágio do hospital, eu disse que acabei tudo e estava pronto para sair. Ela usava um óculos escuro de armação prateada, eu não acreditava, ela falava português fluente com sotaque eslavo, que charme!

- Sobe aqui lindinho que te levo para um passeio. Esqueça o ponto de ônibus hoje, temos muito a fazer juntos - disse Milla com um português com forte sotaque ucraniano, ao mesmo tempo era incomum e sensual ouvir aquela voz delicada e exótica.

Nem pensei em nada, fiquei levemente perdido, entrei logo no carro. Senti a brisa no rosto e o conforto de um carro de luxo europeu.

- Pisa fundo Milla! - eu estava animado. Milla acelereou dentro dos limites permitidos.

Rodamos por Niterói, eu no Porshe prata com aquela mulher linda ao meu lado, aproveitei para esnobar, pois não é todo dia que recebo uma carona de uma mulher desse nível. Pensei no sonho que trepar com mulher feia agora seria coisa do passado, agora só teria a Milla na jogada. Passei em frente à minha faculdade, olhei para aqueles playboys toscos com suas patricinhas sem cérebro, foi aí que um playboy otário. Empinei a cara enquanto o vento batia em meus longos cabelos, eu me sentia o máximo.

- Aí Obscuro, tá só na carona... Ah... vai "arroz". Só acompanha! - disse um playboy escroto que detesto.

Fiquei irado, odeio babaquice comigo em qualquer situação, em especial quando estou com uma mulher ao lado. Estávamos perto da pizzaria, Milla olhou para ele com nojo, e mesmo a cara de zangada dela é um espetáculo.

- Ninguém fala assim com você na minha frente! - Milla falou com tanta firmeza, fiquei impressionado.

Vi aqueles lindos olhos por detrás do óculos, que bela visão... que sensualidade, coisa de louco, aquela boca expressiva também era um espetáculo! Milla estacionou o carro, saiu e deu a volta, eu saí também e íamos até a pizzaria, o playboy babaca ficou afastado a nos observar, então entramos. Milla disse que pegaria a pizza e refrigerantes para a gente. Eu fiquei ali fora encostado no carrão, já havia tirado meu jaleco. Evitei brigar daquela vez, então o playboy tentou se aproximar dela e jogou umas cantadas toscas e ela já estava com raiva. Tentei chegar junto para tirar satisfações com o playboy, mas antes que eu me aproximasse ela foi mais rápida, enquanto eu segurava a caixa de pizza com as duas latas de refrigerante a minha musa deu um chute no saco do paspalho. Ela veio até o carro, peguei a caixa de pizza e entramos no carro maravilhoso dela.

- Não vai esnobar mais um pouquinho? - Milla sorriu maliciosamente, mordeu seus próprios lábios e entendi que ela queria um beijo. Beijei-a suavemente segurando a caixa de pizza, ela segurava os refrigerantes. O povo fútil da faculdade ficou impressionado. O Obscuro agora beijava a Milla Jovovich... isso merecia matéria no jornal acadêmico. Não é todo dia que um cara desconhecido fica com uma atriz, ex-modelo, estilista, cantora e musa dos marmanjos e nerds.

Entrei no carro, fiz “piru” para um bando de babacas, aí ela me puxou e meu deu um beijo mais intenso, seguiu com o carro e logo estávamos dando a volta para seguir rumo ao MAC (Museu de Arte Contemporânea) em Niterói, era de tarde, saímos do carro, conversamos, comemos e bebemos por lá. Um baita clima de romance, eu pensava que tinha ganho na loteria, o melhor é que ela falava português e conversava como uma mulher bem inteligente. Que tesão, então namoramos muito observando a paisagem enquanto vinha o pôr do sol, ela sorria e ficávamos abraçados, eu me senti “o cara”.

- Vem comigo... tive uma idéia louca – eu disse a ela com bastante malícia enquanto a beijei no pescoço. Ela entendeu que o clima esquentou entre nós.

Descemos até a escada do bistrô do MAC, nos beijamos e começamos a nos acariciar. Era quarta-feira e tudo estava bem deserto, ela estava com um vestido roxo bonito e elegante com um decote discreto e seus joelhos à mostra, tinha botas roxas curtas de bico redondo e salto médio. Tudo parecia tão real... meus sentidos me enganavam nesse sonho, meus instintos estavam intensos enquanto o desejo onírico me tomava firme com aquela sedução fascinante. Tivemos beijos, mordidas, toques, arranhões e amassos intensos colados a uma parede enquanto a brisa batia em nossos corpos. Sua pele clara já estava vermelha após tantos apertos, então o segurança nos viu.

- Tá certo que a mulher é bonita e gostosa, mas tem motel aqui em Niterói. Fora daqui sortudo! - o segurança ria e sacudia a cabeça, Milla botou a língua para fora em careta e sorriu. Virou-se comigo segurando sua cintura, fiz uma cara de "deixa que eu cuido disso" para o segurança e fui embora.

Voltamos na direção do carro, tiramos fotos pelo pátio do museu, nos comportamos como bons cidadãos quietos e discretos, mas nossos rostos falavam o inverso. Seguimos de mãos dadas só namorando e contando histórias engraçadas. O mais cômico é que ela me conhecia pela internet. Tá certo que já saí com mulheres da internet e não foram poucas, mas nunca dei sorte tão grande na vida real como nesse sonho.

- Tá afim de uma loucura só nossa? - Milla propoz uma safadeza, dando estalinhos na minha boca, então eu fiquei pensativo.

- Diz o que é... Eu decido se vamos ou não – eu não ia dar tanto mole assim de cara.

- Pára de se fazer de difícil! Meninos maus como você apanham mais, sabia? - Milla tirou os óculos e os colocou na bolsinha prateada com que andava. Ela apontava um dedo para minha boca e fingi que ia mordê-lo. Ela sorria de boca fechada e passava a língua pelos lábios... maliciosa e pensativa.

- O que você propõe minha querida? - eu agora estava curioso, adoraria negociar uma diversão a dois.

- Vamos logo para um motel ótimo que conheço... até telefonei para lá, eles estão com muitas vagas hoje – Milla mordeu os lábios e passou a língua entre eles, ainda mais maliciosa que antes. Pensei que aquela noite prometeria surpresas e prazeres incríveis.

Voltamos para o carro, ela fechou o conversível e começamos a nos divertir, no carro mesmo. Milla beijava meu pescoço e bem de leve começava a me morder, retribuí a carícia e comecei a alisar suas coxas. Então ela batia nas minhas mãos dizendo que eu era um menino mau e não merecia tal intimidade. Novamente minhas mãos a alisaram, nos beijávamos, um pouco lentamente e depois ficávamos mais frenéticos, eu alisei suas costas e sentia um zíper ao meio, abaixei devagarinho e senti seu sutiã e toquei sua pele aquecendo ao meu toque, era suave e macia tão lisa e gostosa ao toque que é difícil definir, o perfume dela era o Hypnotic Poison da grife Christian Dior para o qual ela fez propaganda do mesmo, como adoro esse perfume! Com classe e cuidado eu abri com uma só mão a junção de seu sutiã e com a outra mão alisava seus cabelos carinhosamente, o soutien caiu por dentro da roupa.

- Safado! Ainda não vamos fazer aqui...guarde o doce pra festa! – disse ela com a voz ofegante e com uma falsa seriedade.

- Eu garanto que o doce não vai derreter aqui no carro, aqui é só a "entrada". O "prato principal" é no motel - eu ria com a situação e ela fingia que não queria que eu visse seus seios, mas eu os vi, ela me provocava e em poucos minutos vi seus mamilos rosadinhos e aquela pele branquíssima me deixava louco de desejo. Fiquei muito louco com aqueles seios, mas me contive, eu estava eretíssimo, com muito desejo mesmo, mas me segurei e isso aumentava minha tensão e tesão.

- Agora que viu pode brincar com carinho, brinque com meus seios – disse a musa branca ao deixar as alças do vestido caírem, deixando os seios nus. Não me contive e comecei um série de carícias com as mãos e boca nos seios dela, então ela abriu minha camisa com ferocidade e chupou e mordeu meus mamilos ávida por me provocar desejo. Eu acariciava aqueles cabelos macios suavemente e aquele pescoço pequeno e delicado estava com os pêlos da nuca arrepiados enquanto ela me chupava no peito, ela estava com o corpo quente e gemia forte durante a brincadeira, até me mordia só para me ouvir gemer baixinho.

Fomos para o banco de trás e nos acariciamos muito, estávamos excitados, mas não queríamos transar no carro, ainda não era o momento. Ela estava sentada no meu colo de frente para mim rebolando sobre minha calça e arranhava minha barriga, então eu lhe dei uns tapas na bunda, ela ria com a maior cara de sem-vergonha, chegou a me lembrar as mulheres criadas por Nelson Rodrigues, grande escritor e cronista. Mandei a Milla para o banco da frente, ela foi uma boa menina e obedeceu-me fazendo um biquinho de triste, puro teatrinho dela. Adorei!

- Dessa vez eu dirijo e por favor, não faça gracinhas senão a gente bate e aí vai ser um problema sério para nosso encontro – eu a desejava demais e me continha, estávamos com as roupas amarrotadas e quase suados se não fosse o ar condicionado potente do carro dela.

Dirigi e segui até o motel, estacionamos lá dentro. Saímos do carro, passei no balcão e ela falou com o balconista sobre reservas, então pegamos um bom quarto. Paguei o balconista uma pernoite em espécie e subimos. Nos corredores não tinha ninguém, estávamos tão excitados... Milla me atirava contra a parede com tesão e fúria e me beijava frenética até rosnando, me mordeu os lábios duas vezes e quase sangrei. Fiquei mais agressivo e também passei a correr atrás dela pelo corredor com cuidado para não fazer barulho. Ela corria muito e como era bem cautelosa não incomodava os outros quartos. O corredor era enorme, mas ela sempre se fingia de lerda só para que eu a puxasse com força pelos braços ou pela cintura. Ficamos brincando assim por uns tempos, mas ela sempre dava um mole para levar uns puxões de cabelo e tapas na bunda sem exagero, que brincadeira gostosa!

Quando Milla estava perto eu a beijava no pescoço e ela ria, tentava fugir risonha e fingia não querer nada, mas era tudo um jogo e ela era boa em brincar. Entramos no quarto finalmente, 4º andar, quarto 404. Entramos e fomos logo tirando a roupa, então entramos na banheira juntos completamente nus. No sonho ela não tinha seus 1,73 m, Milla era pequena do jeito que gosto, devia ter cerca de 1,60 m enquanto eu tinha meus 182 centímetros de altura que marcavam uma certa grandeza física que a excitava. Nos banhamos ainda excitados, mas sem transar, foi nesse momento que nos banhamos e deixamos a banheira encher para então desfrutar da mesma.

- Gosto de jogos de sedução, Ursão. Foi ótimo escolher a pernoite, pois 4 horas de estadia nesse motel não são suficientes para saciar nossos desejos – ela ria sarcasticamente e me olhava agora levemente tímida, mas era tudo brincadeira, ela sabia o que queria e não recuaria.

Nos beijamos na banheira, fizemos massagens, nos tocamos e as coisas se intensificavam, retomávamos o ritmo das brincadeiras do corredor. Mas que desagradável... aqui no meu mundo real meu celular tocou de manhã para me acordar. Levantei da cama com uma cara de raiva, então minha mãe abriu a porta e me encontrou só de bermuda com um grande volume e perguntou.

- Obscuro, como você explica essa cara de raiva e essa ereção? - minha mãe foi incisiva e perguntou o que não devia.

- Dessa vez começo pelo fim: a causa da ereção é a Milla Jovovich, que você vai dizer que nunca ouviu falar nela. Já a minha cara de zangado é idêntica a careta que você fez quando interrompi seu sonho erótico com o Richard Gere. Estamos quites! - respondi rispidamente.

Lá se foi meu sonho erótico, nem deu para completar o sonho. Tive um dia tedioso na faculdade, encontrei aquele mesmo payboy babaca da faculdade com aquelas piadas sem graça, passei naquela pizzaria e apenas olhei as pizzas na vitrine pois estava somente com a grana da passagem. Não tive nenhuma conversa interessante em nenhum local pelo qual passei durante o dia, ao chegar em casa ninguém interessante apareceu no orkut e MSN, só notei gente sem assunto que me adicionou por alguma razão. Mesmo tendo um dia ferrado tive um bom sonho interrompido, então será dificil esquecer esse meu passeio com a Milla Jovovich.

- Mensageiro Obscuro.
Setembro/2008.

Foto: Milla Jojovich em campanha publicitária para o perfume "Hypnotic Poison" por Christian Dior.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Cobaia Social

Observando as coisas como surgem penso às vezes que sirvo como cobaia em testes de alguma espécie de teoria de conspiração consistente em diversos focos independentes que sempre me põem como figura social incompreendida e dificilmente rotulada. É bem difícil rotular alguém tão versátil, talvez seja fácil incrementar conceitos relacionados em sinônimos relacionados à minha personalidade excêntrica e solitária tão incômoda para os indivíduos pré-julgados como "comuns". Na verdade todos temos peculiaridades, mas pessoas como eu nasceram exageradas nesse sentido.
Analisando casos decorrentes de péssimas interpretações perante meus ideais, gostos e desgostos, amores e ódios e demais motivações de meus conhecimentos empíricos e de meu estilo sibaritista, concluo que é difícil me relacionar em certa parte, pois minha linguagem nem sempre diz tudo que desejo e acabo por ser identificado como uma possível cobaia das más línguas que insistem em contorcer meus dizeres, além disso conseguem me ferir das dez maneiras que mais condeno: levantam mentiras sobre minha honra; ignoram-me sem listar motivos concretos; não cumprem o que me prometeram ou devem; mentem sobre mim sem me dar direito de defesa; brincam com meus sentimentos; me negam ajuda quando tem oportunidade em colaborar; são hipócritas comigo; ferem alguém de quem gosto sem motivos concretos; fazem comparações nocivas perante meu comportamento e demais estatísticas; e me embromam com algo que eu considero importante.

Diante de todos esses problemas de interação social eu vivo em um paradoxo: por uma lado vivo em constante conflito idealístico na presença de pessoas que não me compreendem, por outro lado convivo normalmente com minhas pessoas queridas, nunca me faltando numerosos e valorosos amigos dos estilos e utilidades mais variados, mesmo sendo exótico mostro-me amistoso e aberto a conversas profundas com aqueles que tem intimidade comigo.
Sou solitário por evitar me expor, por isso levo meses e até anos para saber se vale mesmo a pena que alguém entre em minha vida amistosa ou amorosa, pouco me importa quantos meses ou anos posso passar solitário, este fardo é sempre mais leve para mim por ser característico de minha natureza. Pessoas entram e saem da minha vida com frequência e assim prefiro, ficam os bons e saem os maus. Em uma breve definição, minha solidão se reflete ao fato da seletividade idealística e níveis metódicos de ganhos e perdas, podem me chamar de ultra-racional, mas acredito que estejam certos, minha emotividade é quase inexistente, quase nada me abala, salvo quando entram em jogo as atitudes que julgo por intoleráveis como já citei.

Antigamente eu sentia dores, hoje apenas tenho cicatrizes emotivas profundas, várias travas físicas e mentais que determinam mecanismos de defesa para todos os fins e isso me traz vantagens como um maior auto-controle de minhas ações e planos; e desvantagens como a insensibilidade emocional gerada pelo racionalismo hiperbólico que me torna uma espécie de autômato de carne, algo parecido com uma máquina avançada seguindo seu conteúdo programático, fazendo cálculos variados para obter êxito em suas metas e objetivos, sendo eles concretos ou abstratos. Tudo segue um fluxograma pouco variável e quase inflexível quando minha vida não consegue ser dividida em camadas de posses e idealizações, essa racionalidade extremista já me fez ver as pessoas como peças de xadrez a serem usadas como degraus para o alcance de meus desejos, hoje em dia estou a fim de esquecer rótulos como: "chave de acesso", "aliado eficaz", "aliado temporário" e "peça descartável", é uma maneira muito fria de encarar as pessoas, essa frieza chega a ser uma rispidez e um total desrespeito a todas as pessoas que me rodeiam. Atualmente já não as vejo dessa forma, mas permaneço medianamente gélido para evitar decepções.
Podem me chamar de narcisista também, por realçar meu egolatrismo e materialismo, tenho a impressão de definhar como se estivesse predestinado a lutar constantemente com meu lado oposto que mais parece uma analogia entre minha pseudo dupla personalidade, algo bem próximo ao embate dos personagens Dr. Jekill, o médico bondoso em sua humanidade e dogmas de conduta social e o Sr. Hide, o monstro de sua personalidade algoz com relação ao Dr. Jekill, psicótico e desprovido de travas psico-sociais. Lógico que não sou tão extremo como esses personagens, mas analogamente é uma referência bem cabível ao meu comportamento com bases dualistas.

Sinto-me uma cobaia a ter que sofrer por determinados resultados dos testes em mim aplicados, mas quem disse que as coisas boas são fáceis? Certamente seria muita preguiça de minha parte pensar que a vida será uma simples brincadeira e tudo virá conforme eu desejar, conflitos internos existem e são mais dolorosos que os externos, por isso prontifico-me a saber como sobreviver nesse enorme e perigoso laboratório que chamamos de vida.

- Mensageiro Obscuro.
2004.


Foto: "Sweet Memories" por Freydoon Rassouli.
Portal do artista: Rassouli